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Onda de calor extremo provoca cerca de mil mortes acima do esperado na França em três dias

País bateu recordes históricos de temperatura durante a primeira grande onda de calor do verão europeu; idosos foram principais vítimas

Foto: Pixabay/Reprodução

A intensa onda de calor que atinge a Europa já provoca impactos significativos na França. Segundo o Ministério da Saúde francês, o país registrou um excedente de aproximadamente mil mortes em apenas três dias, entre 24 e 26 de junho, período marcado por temperaturas recordes.

As autoridades alertam que os números ainda são preliminares e podem aumentar, já que os dados foram compilados a partir de atestados de óbito eletrônicos, que representam cerca de 60% das mortes registradas no país.

O calor extremo levou a França a quebrar marcas históricas. De acordo com o governo, o dia 23 de junho foi o mais quente já registrado no território francês, superando o recorde anterior de 2003. Na cidade de Pissos, os termômetros chegaram a 44,3°C, a maior temperatura observada desde o início das medições meteorológicas, em 1947.

Durante o período analisado, foram registradas mais de 1,2 mil mortes em 24 de junho e cerca de 1,4 mil mortes em cada um dos dois dias seguintes. Nos meses de abril e maio, a média diária variava entre 900 e mil óbitos.

O aumento da mortalidade foi mais expressivo nas regiões que permaneceram sob alerta vermelho, como Île-de-France, Nouvelle-Aquitaine, Bretanha, Centro-Vale do Loire, Normandia e País do Loire.

Pessoas com 65 anos ou mais responderam por 85% dos óbitos registrados. O ministério também destacou o crescimento das mortes em hospitais, instituições de longa permanência e residências. Neste último caso, o aumento foi de cerca de 40%.

As autoridades reforçaram a necessidade de apoio a pessoas isoladas, especialmente idosos e indivíduos em situação de vulnerabilidade social, diante dos riscos associados às temperaturas extremas.

O calor perdeu intensidade neste domingo (28), após vários dias com temperaturas acima de 40°C em diferentes regiões do país. Ainda assim, os efeitos da onda de calor continuaram a impactar a rotina dos franceses. A Parada LGBTQIA+ de Paris, por exemplo, precisou ser adiada devido às condições climáticas.

Especialistas apontam que o fenômeno foi potencializado por uma combinação entre condições atmosféricas e o aquecimento global. O secretário-executivo da Convenção da ONU sobre Mudanças Climáticas, Simon Stiell, afirmou que a crise climática tem influência direta na intensificação dos eventos extremos.

Segundo o Serviço de Mudança Climática Copernicus, da União Europeia, uma “cúpula de calor” formada por ar quente vindo do norte da África e retido por um sistema de alta pressão contribuiu para as temperaturas excepcionais. Embora o fenômeno seja natural, pesquisadores destacam que as mudanças climáticas causadas pela atividade humana tornam as ondas de calor mais frequentes, intensas e propensas a bater recordes históricos.