BRASIL


PF aponta fraude contábil de R$ 199 milhões em banco ligado a Edir Macedo

Operação investiga suposta valorização artificial de ativos e levou ao bloqueio de até R$ 670 milhões em bens dos investigados

Foto: Reprodução/Redes Sociais

 

A Polícia Federal identificou um suposto esquema de fraude contábil que teria gerado R$ 199 milhões em receitas fictícias nos balanços do banco Digimais, instituição ligada a Edir Macedo. A investigação apura a utilização de reavaliações sucessivas de direitos creditórios para inflar artificialmente o patrimônio da instituição financeira.

As suspeitas são alvo da Operação Miragem, deflagrada nesta terça-feira (23), quando foram cumpridos nove mandados de busca e apreensão. A Justiça Federal em São Paulo também autorizou o bloqueio de até R$ 670 milhões em bens e determinou a quebra dos sigilos bancário e fiscal dos investigados.

Segundo a PF, a fraude teria sido baseada em participações em uma ação judicial movida contra a União desde 1967. Fundos de investimento ligados ao banco compraram parcelas dos direitos sobre o processo e, posteriormente, registraram sucessivas valorizações sem justificativa econômica compatível, elevando artificialmente o valor dos ativos.

De acordo com os investigadores, uma participação adquirida por R$ 9 milhões chegou a ser contabilizada em cerca de R$ 100 milhões após transferências entre fundos. Em outros casos, cotas compradas por aproximadamente R$ 20 milhões teriam sido reavaliadas para R$ 174,5 milhões cada. No total, ativos adquiridos por cerca de R$ 71 milhões passaram a constar nos demonstrativos financeiros por mais de R$ 741 milhões.

A apuração aponta que o Banco Central do Brasil determinou a correção das avaliações para os valores originais de aquisição. Segundo a PF, para evitar o impacto da medida, gestores teriam firmado contratos de venda a prazo das cotas para a empresa controladora do banco, a B.A Empreendimentos, com pagamento previsto apenas para 2032.

Os investigadores afirmam que a operação permitiu manter os valores inflados nos balanços como créditos a receber. O Banco Central também apontou indícios de que o negócio poderia caracterizar uma forma irregular de financiamento da instituição a sua própria controladora, já que o contrato previa correção pelo IPCA acrescida de juros de 0,5% ao ano.

A Operação Miragem apura possíveis crimes contra o sistema financeiro nacional. Até o momento, não houve condenações, e os fatos seguem sob investigação. Com informações do colunista Alex Sabino, do jornal Folha de S. Paulo.