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Adega subterrânea na Geórgia com 30 mil garrafas históricas pode reposicionar país no mapa mundial do vinho

Coleção descoberta em Tbilisi inclui rótulos ligados a Napoleão e Stalin e pode render milhões em leilões internacionais

Foto: 悍匪 社交/Pixabay

O governo da Geórgia revelou nesta semana o cofre subterrâneo da antiga Fábrica de Vinho Nº 1, em Tbilisi, onde foram encontradas cerca de 30 mil garrafas de vinhos e relíquias etílicas acumuladas ao longo de mais de dois séculos. A descoberta inclui exemplares raros associados a figuras históricas como Napoleão Bonaparte e Josef Stalin.

O espaço fica sob as ruas da capital georgiana e integra um complexo industrial construído no século XIX com financiamento do empresário David Sarajishvili. A abertura pública do acervo coloca o país, situado entre Europa e Ásia, novamente em evidência no cenário internacional da produção de vinhos.

Segundo autoridades locais, parte da coleção tem origem na família imperial russa, os Romanov. Após a Revolução de 1917, o acervo foi confiscado e posteriormente incorporado ao controle soviético. Durante o período de liderança de Stalin, nascido na Geórgia, a coleção teria sido ampliada com vinhos produzidos na região.

De acordo com registros históricos citados por autoridades, garrafas atribuídas ao período napoleônico teriam sido trazidas à Rússia durante a retirada das tropas francesas de Moscou, em 1812. Já a consolidação do acervo em Tbilisi teria ocorrido por determinação de Stalin, que ordenou a transferência de coleções para a capital georgiana durante a Segunda Guerra Mundial, sob temor de destruição em outras regiões.

Especialistas agora avaliam o estado de conservação das garrafas. Muitas delas foram preservadas graças às condições de temperatura e umidade do subsolo. Parte do acervo inclui vinhos fortificados e doces que, segundo relatos históricos, ainda mantêm características sensoriais mesmo após mais de um século.

Apesar disso, o material é hoje tratado principalmente como patrimônio histórico. Nos anos 1990, um visitante chegou a degustar uma garrafa centenária e relatou que o vinho ainda estava em boas condições, mas atualmente o consumo não é mais o objetivo da preservação.

A Geórgia busca agora transformar a descoberta em ativo cultural e econômico. O país é considerado um dos berços da vitivinicultura mundial e mantém o tradicional método de fermentação em qvevri, reconhecido como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade pela Unesco.

A Agência Nacional do Vinho trabalha na catalogação e avaliação do acervo. Parte das peças poderá ser levada a leilões internacionais, com estimativa de alto valor comercial. Os recursos obtidos devem financiar a criação de uma escola de enologia no país, reforçando a cadeia produtiva local e o posicionamento da Geórgia no mercado global de vinhos. Com informações da Revista Veja.