POLÍTICA


Jaques Wagner e Augusto Lima são alvo da PF em operação sobre esquema do Master

Defesas do líder do governo e do empresário ainda não se manifestaram; em março, o petista disse não dever explicações acerca de um negócio de R$ 11 milhões entre sua nora e o banco de Vorcaro

Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado

 

O líder do governo Lula no Senado, Jaques Wagner (PT), é alvo da 9ª fase da operação Compliance Zero, realizada pela Polícia Federal, que apura seu suposto envolvimento com o escândalo do Banco Master. Agentes da PF estiveram em um endereço pertencente ao petista, no Corredor da Vitória, em Salvador.

Augusto Lima, ex-sócio de Vorcaro, também é alvo da ação. São apuradas suspeitas de corrupção passiva, corrupção ativa e lavagem de dinheiro envolvendo a instituição de Daniel Vorcaro.

Até a publicação deste texto, as defesas do senador e do empresário não haviam se manifestado sobre a operação. Em março, Jaques Wagner disse não dever explicações acerca do esquema do Master após a revelação de que a empresa de sua nora recebeu R$ 11 milhões do banco de Daniel Vorcaro.  O senador chamou de “especulação” a menção a seu nome no caso, embora reconheça que há “muita trambicagem”.

“Na verdade, só puxaram porque é familiar meu. O assunto está todo explicado. É uma empresa de dois sócios: um rapaz e a moça, que é casada com o filho de Fátima [Mendonça, sua esposa] e, portanto, eles nos chamam de ‘minha nora’. Eu não tenho nada a explicar porque eu não tenho nada a ver com isso”, declarou em entrevista à rádio Metropole

Ex-governador da Bahia, Jaques disse em entrevista à Folha que sua relação com Augusto Lima se deu em 2018, quando o então sucessor, Rui Costa, decidiu vender o Credcesta ao empresário.

“Tínhamos um trambolho [no governo do estado] que era uma rede de supermercado estatal, com um cartão de compras que estava dentro disso. Nós privatizamos. Fomos duas vezes para a Bolsa de São Paulo, deu vazia. A partir daí você tem o direito de fazer uma chamada pública na Bahia. Apareceu o Augusto Lima, que já trabalhava com cartão de benefício, sindicatos, etc, junto com um espanhol, e resolveram comprar. O Vorcaro entra nisso depois da venda. Nunca falei com ele sobre Cesta do Povo, nunca. Nunca falei com ele”, afirmou.

“Conheci na venda do negócio. Várias vezes eu conversei com ele, acaba-se tendo uma relação. É um baiano que se relaciona com muita gente.”

Ao todo, a nova etapa da Compliance Zero cumpre 18 mandados de busca e apreensão, expedidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF), nos estados da Bahia, São Paulo e no Distrito Federal.

Foram determinadas ainda medidas cautelares na operação de proibição de contato entre os investigados e suspensão de passaporte.