ECONOMIA


Fitch reafirma rating soberano do Brasil em ‘BB’, com perspectiva estável

Segundo agência, rating "BB" do Brasil reflete economia grande e diversificada, finanças sólidas e um câmbio flexível, mas é limitado por fatores estruturais

Foto: XP Investimentos/assessoria

 

A Fitch Ratings reafirmou o rating de crédito soberano de longo prazo do Brasil em moeda estrangeira em “BB”, com perspectiva estável, destacando a resiliência da economia, a robustez das contas externas e a flexibilidade cambial como pilares de sustentação do perfil de crédito do país.

Segundo a agência de classificação de risco, o Brasil se beneficia de uma economia ampla e diversificada, além de mercados domésticos profundos, que garantem maior flexibilidade no financiamento do governo e reduzem a dependência de dívida em moeda estrangeira.

Por outro lado, o rating permanece limitado por fatores estruturais, como o elevado nível de endividamento público, a rigidez orçamentária, o baixo potencial de crescimento e fragilidades institucionais.

A Fitch também destaca que a incerteza fiscal continua sendo um dos principais riscos macroeconômicos, com maior clareza sobre o rumo das reformas estruturais esperada apenas após as eleições presidenciais de outubro.

No cenário político, a Fitch projeta que o resultado da eleição poderá influenciar significativamente o direcionamento da política econômica e fiscal.

Em um eventual novo governo Lula, a tendência seria de continuidade, com foco em gastos sociais, tributação progressiva e menor apetite para reformas estruturais de despesas. Já uma administração de Flávio Bolsonaro tenderia a adotar uma agenda mais pró-mercado, com redução de impostos, maior eficiência do gasto público e avanço de privatizações.

A Fitch prevê ainda uma deterioração das contas públicas nos próximos anos. O déficit do governo geral deve subir para 8,6% do PIB em 2026, ante 8,1% em 2025, nível bem acima da mediana de 3,5% para países com rating semelhante (“BB”). A expectativa é de alguma redução para 8% em 2027, impulsionada por menor custo de juros e melhora do saldo primário.

Ainda assim, o quadro fiscal permanece pressionado. A dívida bruta do governo deve ultrapassar 80% do PIB em 2026, após atingir 78,6% em 2025. Na avaliação da Fitch, déficits elevados e persistentes aumentam a vulnerabilidade do país a choques externos e mudanças no apetite dos investidores.

Apesar disso, a composição da dívida mitiga parte dos riscos. A baixa participação de passivos em moeda estrangeira, a presença de investidores locais, o elevado colchão de liquidez do Tesouro e a gestão ativa da dívida ajudam a reduzir pressões de curto prazo.

Mesmo em um ambiente de política monetária restritiva, a economia brasileira deve seguir resiliente no curto prazo. A Fitch estima crescimento do PIB de 2,1% em 2026, após expansão de 2,3% em 2025, sustentado por consumo robusto, mercado de trabalho aquecido, desemprego em níveis historicamente baixos e ganhos reais de renda.

Para 2027, a expectativa é de desaceleração do crescimento para 1,7%, refletindo os efeitos defasados dos juros elevados e uma eventual redução do estímulo fiscal.

A inflação segue como um ponto de atenção. Após atingir 4,7% em maio de 2026, a Fitch projeta que o índice chegue a 5% no fim do ano, acima do teto da meta de inflação. Com isso, o ciclo de queda de juros deve ser mais gradual. A agência estima que a taxa Selic encerre 2026 em 13%, indicando um ritmo de flexibilização mais lento do que o antecipado anteriormente.

Em síntese, a avaliação da agência indica que, embora o Brasil mantenha fundamentos sólidos em áreas-chave, como o setor externo e a estrutura de financiamento, o desafio fiscal segue como principal entrave para uma melhora mais consistente do risco soberano.