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Inovação brasileira transforma resíduos, biodiversidade e dados ambientais em soluções sustentáveis

Projetos reconhecidos pela Finep mostram como ciência e tecnologia podem impulsionar energia limpa, bioeconomia, monitoramento climático e desenvolvimento regional

Foto: assessoria

 

Em um cenário em que temas como transição energética, economia circular, adaptação climática e uso sustentável da biodiversidade ganham cada vez mais relevância, iniciativas brasileiras apoiadas e reconhecidas pela Finep mostram como a inovação tecnológica pode oferecer respostas concretas para os desafios ambientais do país.

A financiadora, cujo objetivo é impulsionar o desenvolvimento científico e tecnológico do país por meio de um amplo portfólio de instrumentos, conta com o Prêmio Finep de Inovação como uma de suas principais iniciativas. Considerado o Oscar da inovação no país, a premiação foi retomada em 2025 após uma década de hiato, voltando a reconhecer projetos desenvolvidos por empresas, universidades, institutos de pesquisa e organizações que contribuem para o fortalecimento do ecossistema nacional de ciência, tecnologia e inovação. A iniciativa destaca soluções com potencial de gerar impacto econômico, social e ambiental em diferentes regiões do país.

Entre os projetos reconhecidos pela premiação, estão tecnologias que refletem a diversidade de caminhos possíveis para a inovação ambiental no Brasil. Da costa ao Pantanal, da Amazônia ao Cerrado, os projetos mostram que soluções sustentáveis podem ser desenvolvidas a partir das características de cada território, combinando ciência, tecnologia, conhecimento regional e impacto socioambiental.

Como a colaboração entre a Ponta Grossa Ambiental e a Universidade Federal do Paraná (UFPR), que resultou no desenvolvimento de um sistema modular capaz de transformar resíduos urbanos e lodo de esgoto em energia limpa. Por meio de processos termoquímicos inovadores. A iniciativa reforça o potencial da economia circular para dar novo destino a materiais de alto impacto ambiental.

No Mato Grosso do Sul, a Pantabio, startup de base tecnológica sediada em Aquidauana, desenvolveu um biopesticida à base de Trichoderma do Pantanal, fungo nativo adaptado às condições do agro tropical. Capaz de resistir a altas temperaturas e períodos de seca, a solução oferece uma alternativa mais alinhada à realidade brasileira, contribuindo para a redução da dependência de defensivos químicos e insumos importados.

O Sistema de Monitoramento da Costa Brasileira (SiMCosta), do Rio Grande do Sul, operado pelo Centro de Estudos dos Oceanos e Clima da Universidade Federal do Rio Grande (FURG), realiza a coleta contínua de dados meteorológicos e oceanográficos ao longo da costa brasileira. As informações são processadas, validadas e disponibilizadas de forma aberta e gratuita, contribuindo para pesquisas científicas, gestão costeira, operações portuárias, políticas públicas e estratégias de adaptação às mudanças climáticas.

Em Goiás, o Instituto Senai trabalha no desenvolvimento de novos ingredientes e cosméticos a partir do babaçu e do pequi. A iniciativa valoriza ativos da biodiversidade brasileira, promove o uso sustentável dos recursos naturais, reduz resíduos e contribui para a geração de renda de comunidades extrativistas e agricultores familiares.

Já no Tocantins, a Universidade Federal do Norte do Tocantins (UFNT), em colaboração com a Fundação de Apoio Científico e Tecnológico do Tocantins (FAPTO), modernizou laboratórios com equipamentos de alta performance voltados para saúde, tecnologia da informação e ciência animal. O projeto permite aplicações que vão do controle de doenças em rebanhos à análise da qualidade do solo, da água e do ar, oferecendo suporte técnico e científico para governos, empresas e cadeias produtivas locais.

Por sua vez, na região Norte, a Belém Bioenergia Brasil desenvolve um projeto de bioevaporação e produção de biofertilizante a partir dos resíduos da extração do óleo de palma. A solução busca reduzir o uso de componentes químicos, diminuir emissões de gases de efeito estufa e fortalecer a bioeconomia regional por meio do reaproveitamento de resíduos produtivos.

Representando o Nordeste, a Cril Empreendimento Ambiental desenvolve um combustível sustentável de alta performance a partir da reciclagem química de resíduos industriais de difícil degradação, como EVA e SBR. Por meio de processos termoquímicos, como a pirólise, a iniciativa transforma passivos ambientais em energia limpa, contribuindo para a economia circular e para a diversificação da matriz energética brasileira.

Entre janeiro de 2023 e dezembro de 2024, a Finep contratou cerca de três mil novos projetos, dos quais aproximadamente 144 iniciativas integraram as etapas iniciais da premiação. O movimento reforça o compromisso da financiadora com o desenvolvimento regional e com o fortalecimento de soluções capazes de transformar conhecimento científico em benefícios concretos para a sociedade.

Com quase 60 anos de trajetória, a Finep é a única agência de fomento ao desenvolvimento científico e tecnológico que atua em todas as etapas do ciclo da inovação no Brasil, da pesquisa básica à aplicação prática. Vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), a instituição apoia projetos, empresas, universidades e centros de pesquisa que contribuem para o avanço da ciência, da tecnologia e da inovação no país.