SAÚDE


Especialista alerta para epidemia de dengue em cidades baianas

Estado prevê mais de 9 mil casos prováveis em 2026

Paulo Pinto/Agência Brasil

 

Seis cidades baianas estão em situação de epidemia de dengue, segundo dados da Vigilância Epidemiológica da Secretaria da Saúde do Estado da Bahia (Sesab), obtidos pelo Conselho Estadual de Saúde (CES). O cenário é caracterizado por um aumento considerável de casos em um curto período em determinada região.

A lista inclui os municípios de Araci, Campo Alegre de Lourdes, Maraú, Remanso, Uauá e Alagoinhas, esta última com decreto de situação de emergência por causa do avanço das arboviroses. Outras 43 cidades estão em situação de alerta.

O estado contabiliza ainda 121 casos graves e dois óbitos confirmados por dengue. As mortes foram registradas nas cidades de Juazeiro e Jequié.

O virologista Gúbio Soares, cientista que primeiro detectou o vírus da zika no Brasil, explica a situação de epidemia das cidades.

“No caso desses municípios, é provável que os pacientes sejam pessoas que nunca tiveram contato com os vírus da dengue, chikungunya e zika. Por não terem resposta imune, são infectadas e o vírus se espalha. A epidemia é caracterizada por um aumento abrupto de casos e isso pode se espalhar em cidades vizinhas”, alerta.

“Esse aumento significativo de casos aponta que os vírus continuam ativos na população e que todas as medidas de campanha de prevenção devem continuar ativas, especialmente em períodos de chuva”, acrescenta o especialista.

Apesar do cenário crítico em parte do estado, os números mostram redução geral de casos em comparação com o ano passado. De acordo com o boletim da Sesab, a Bahia registrou 9,1 mil casos prováveis de dengue neste ano. No mesmo período de 2025, haviam sido notificados 16.146 casos prováveis, o que representa uma queda de 43,6%.

Para Gúbio Soares, a redução de casos pode ter relação com condições climáticas, com redução de chuvas em relação ao período anterior.

O presidente do Conselho Estadual de Saúde, Marcos Sampaio, reforça que a população e os municípios não devem relaxar nos cuidados.

“Em alerta temos cerca de 43 municípios, mas em epidemia seis. O cenário era muito mais preocupante no ano passado, mas a dengue sempre requer cuidado. Os números estão abaixo do que foi em 2025, mas isso não significa que não seja necessário um cuidado maior”, afirmou Sampaio.

Em fevereiro deste ano, a secretaria estadual de Saúde iniciou a distribuição da primeira remessa da vacina contra a dengue produzida pelo Instituto Butantan. O imunizante, que utiliza tecnologia 100% brasileira, segue os critérios de priorização estabelecidos pelo Ministério da Saúde e é indicado para pessoas entre 15 e 59 anos.

Vale ressaltar que a principal forma de prevenção contra a doença é evitar água parada, eliminando possíveis criadouros do mosquito Aedes aegypti. Entre os sintomas mais comuns estão febre alta de início súbito, dor de cabeça, dor atrás dos olhos, dores no corpo e nas articulações, manchas vermelhas na pele, náuseas, vômitos e cansaço extremo.