POLÍTICA


Deputado critica jornada da escala 6×1 e diz que modelo penaliza quem mais trabalha

Declaração foi feita pelo relator Paulo Azi após avanço de proposta na Câmara

Foto: Bruno Spada/Câmara dos Deputados

 

O deputado federal Paulo Azi (UB) criticou o atual modelo de jornada de trabalho no Brasil após a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados aprovar, nesta quarta-feira (22), a admissibilidade da proposta que prevê o fim da escala 6×1.

Relator da matéria, o parlamentar afirmou que há uma distorção no mercado de trabalho brasileiro. “Hoje, no Brasil, quem mais trabalha efetivamente é quem ganha menos”, declarou durante a sessão.

De acordo com Azi, os efeitos da jornada atual atingem com mais intensidade grupos específicos da população, como mulheres e jovens. “Especialmente mulheres, com seus afazeres domésticos, jovens que precisariam de tempo para concluir os seus estudos e até a sua capacitação ao mercado de trabalho. Eles são, sem dúvida alguma, aqueles que hoje são mais penalizados pela jornada e pela escala”, disse.

No parecer, o deputado aponta que não há impedimentos constitucionais para o andamento da proposta. Com o aval da CCJ, o texto segue para análise de uma comissão especial, onde será discutido o mérito da medida. A aprovação no colegiado ocorreu de forma simbólica.

Durante o debate, Azi também contestou a ideia de que a redução da jornada deveria ser definida apenas por meio de acordos coletivos. Apesar de reconhecer a importância desse instrumento, ele avaliou que, na prática, não tem sido suficiente para alcançar os trabalhadores mais vulneráveis.

“Talvez por serem os mais desprotegidos, aqueles que ganham menos, infelizmente, a experiência demonstra que os acordos coletivos têm sido insuficientes para abraçá-los”, afirmou.

O parlamentar ainda ressaltou que a aprovação da admissibilidade representa apenas uma etapa do processo e que a discussão mais aprofundada deve ocorrer na próxima fase, especialmente em relação aos impactos econômicos da proposta.

“Quando a matéria passar a ser a discussão do mérito, aí sim as divergências precisam ser enfrentadas, especialmente os impactos econômicos que essa alteração constitucional vai propiciar”, disse.