POLÍTICA


Ex-diretora de presídio diz que Uldurico pedia para retirar algema de traficante e cita ‘bronca’ de Geddel

Ex-ministro e cacique do MDB na Bahia nega envolvimento no caso

Uldurico Júnior e Joneuma Silva Neres. — Foto: Reprodução/Redes Sociais

 

Joneuma Silva Neres, ex-diretora do Conjunto Penal de Eunápolis, disse ao MP-BA (Ministério Público da Bahia), que o ex-deputado federal Uldurico Júnior teve pelo menos três encontros com traficantes no presídio. Em pelo menos uma dessas reuniões, ele teria pedido para ela retirar as algemas dos detentos.

Ela também contou que Uldurico dizia ser cobrado por um “chefe”, em referência ao ex-ministro Geddel Vieira Lima, então correligionário de Uldurico. À época, o ex-deputado era filiado ao MDB, partido que tem Geddel como um de seus líderes na Bahia. O cacique emedebista não é investigado no caso e nega envolvimento no crime.

Os relatos foram divulgados pela TV Bahia, que teve acesso a delação premiada assinada por Joneuma em janeiro deste ano e assinada em fevereiro.

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Uldurico Júnior foi preso preventivamente na quinta-feira (16) sob acusação de ter negociado uma propina de R$ 2 milhões para facilitar a fuga de 16 detentos em dezembro de 2024. As investigações apontam, no entanto, que apenas R$ 200 mil teriam sidos efetivamente pagos a Uldurico. A defesa nega o envolvimento dele com qualquer irregularidade e diz que sua inocência será provada. Joneuma diretora cumpre pena em regime domiciliar.

Ao longo da colaboração, Joneuma Silva Neres detalhou a própria atuação para facilitar a fuga de detentos e afirmou ter agida a pedido do Uldurico, com quem mantinha um relacionamento amoroso.

Joneuma contou que Uldurico a encaminhava mensagens atribuindo autoria ao ex-ministro. “‘Uldurico, eu pensei que ia fugir dois presos, quatro, mas me foge 16, aí você me lasca, cara!’ Tipo assim, o Geddel dando uma bronca nele”, explicou durante a delação.

Ao g1, Geddel refutou a versão da ex-diretora. “Ela diz coisas não sobre mim, mas que ele disse para ela. No fundo, ele estava vendendo meu nome descaradamente para acalmar ela, como se eu fosse protegê-lo. O inquérito da polícia mostra quem recebeu o suposto dinheiro. O pai dele, outros vereadores, com PIX, e não faz nenhuma referência a mim”, disse ele.