BRASIL


Quase metade dos apostadores usa bets como renda extra, aponta Datafolha

Levantamento indica que prática cresce no país e pode agravar quadro de endividamento entre brasileiros

Foto: Assessoria

 

Quase metade dos brasileiros que utilizam plataformas de apostas esportivas e cassinos online afirma recorrer às bets como forma de complementar a renda e pagar contas. Segundo pesquisa do Datafolha, 46% dos apostadores declararam esse objetivo, evidenciando o peso econômico que a prática vem assumindo no cotidiano de parte da população.

O estudo mostra que 10% dos brasileiros têm o hábito de apostar, sendo 2% com frequência alta, 4% ocasionalmente e 4% raramente. Entre o total de entrevistados, 5% disseram já ter apostado com a intenção direta de obter renda extra para despesas do dia a dia, enquanto 1% admitiu ter utilizado dinheiro destinado a contas mensais nas apostas.

O perfil mais comum dos apostadores inclui homens, jovens e pessoas com renda de até dois salários mínimos, o que acende um alerta sobre vulnerabilidade financeira. Especialistas apontam que, embora as apostas não sejam o único fator, elas contribuem para o aumento do endividamento, especialmente quando combinadas com crédito fácil, inflação e baixa educação financeira.

De acordo com o economista Lauro Gonzalez, o impacto das bets deve ser analisado dentro de um contexto mais amplo. Ele destaca que o problema não se resume apenas ao comportamento individual, mas envolve também fatores estruturais da economia brasileira.

Estudos internacionais reforçam esse cenário. Pesquisas do National Bureau of Economic Research indicam que gastos com apostas tendem a substituir investimentos e poupança, reduzindo a estabilidade financeira das famílias ao longo do tempo.

No Brasil, apesar do crescimento do setor, levantamentos apontam que os gastos com apostas ainda representam uma parcela relativamente pequena do consumo total das famílias. Ainda assim, o avanço das bets e sua popularização, especialmente entre jovens, colocam o tema no centro do debate sobre regulação, saúde financeira e comportamento de consumo no país.