POLÍTICA


Relator da CPI do Crime Organizado fala em ‘sabotagem’ e rebate críticas de ministros do STF

Relatório com pedidos de indiciamento será analisado pela comissão ainda nesta terça-feira

Foto: Pedro França/Agência Senado

 

O senador Alessandro Vieira (MDB-SE), relator da CPI do Crime Organizado, afirmou nesta terça-feira (14) que os trabalhos da comissão foram prejudicados por uma suposta “sabotagem” de instrumentos de investigação. A declaração foi dada após a entrega do relatório final, que será analisado pelos parlamentares ainda hoje.

Segundo Vieira, decisões judiciais, como concessões frequentes de habeas corpus, dificultaram a coleta de depoimentos ao longo da CPI. Ele citou como exemplo o caso de Roberto Campos Neto, que prestou depoimento por escrito, medida que classificou como incomum.

O relatório apresentado pelo senador inclui pedidos de indiciamento dos ministros do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes, Dias Toffoli e Gilmar Mendes, além do procurador-geral da República, Paulo Gonet. A justificativa é de que eles deveriam ter se declarado impedidos em processos relacionados ao Banco Master, por possíveis conflitos de interesse.

As críticas provocaram reação dentro do próprio Supremo. O ministro Flávio Dino saiu em defesa dos colegas e afirmou que há um “equívoco” em apontar o STF como um dos principais problemas do país, destacando o papel da Corte no combate ao crime organizado.

Já Gilmar Mendes questionou a legalidade dos pedidos de indiciamento e afirmou que a iniciativa levanta dúvidas sobre os limites de atuação das comissões parlamentares de inquérito.

A CPI encerra suas atividades nesta terça-feira sem concluir a análise completa de documentos fiscais ligados ao Banco Master, incluindo declarações de Imposto de Renda entre 2022 e 2025. O material aponta movimentações bilionárias e segue sob avaliação dos parlamentares.