POLÍTICA


Rui Costa nega favorecimento ao Master e a sócio de Vorcaro: ‘Não tenho nada a ver’

Ministro da Casa Civil rebate críticas sobre decreto do Credcesta que teria beneficiado o empresário baiano Augusto Lima e defende venda de empresa pública

Foto: Wagner Lopes/Casa Civil

 

O ministro da Casa Civil, Rui Costa, negou em entrevista à Record News ter favorecido o Banco Master por decisões adotadas à época em que era governador da Bahia. Um das medidas foi a venda da Ebal (Empresa Baiana de Alimentos, dona da Cesta do Povo), cujo leilão foi arrematado pelo empresário baiano Augusto Lima, que viria a se tornar sócio do banqueiro Daniel Vorcaro, preso sob suspeita de fraudes bilionárias no sistema financeiro.

Como parte do negócio para tornar a venda atrativa naquela ocasião, o governo incluiu o direito de Lima de operar o Credcesta —cartão de crédito consignado para os servidores ativos e aposentados.

Ao defender a transação, Rui Costa afirmou que à época o supermercado público acumulava dívidas de mais de R$ 1 bilhão.

“Ele [Augusto Lima] articulou investidores espanhóis para participar do leilão e comprou”, disse o ministro.

Rui Costa disse que, naquele período, o Credcesta não tinha qualquer relação com o Master, pois o comprador seria um fundo estrangeiro, não uma instituição financeira. “Não tenho nada a ver com isso”, acrescentou.

O ministro também chamou de “inverdades” ter impedido por meio de um decreto editado em janeiro de 2022 a portabilidade do crédito consignado para outras instituições, impedindo beneficiários de buscar taxas mais baixas em outros bancos enquanto tivessem contratos ativos com o Credcesta.

“O decreto estadual não garante nem retira portabilidade de crédito. Isso é atribuição do Banco Central e do Ministério da Fazenda”, afirmou.

O nome de Augusto Lima voltou aos holofotes em razão de sua ligação com o Master e da proximidade com integrantes do governo federal. Ex-CEO do banco, ele participou de uma reunião em dezembro de 2024 com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o ministro Rui Costa e Daniel Vorcaro. O encontro, no Palácio do Planalto, ocorreu fora da agenda oficial.