ENTRETENIMENTO


Pânico 7 estreia nos cinemas nesta quinta-feira (27)

Sétimo filme da franquia aposta em debates sobre identidade virtual e heróis improváveis, mas exige fidelidade do público que acompanha a saga há décadas 

Foto: reprodução/ UOL

Três décadas depois do primeiro assassinato que mudou o terror adolescente, a franquia Pânico retorna tentando provar que ainda tem algo relevante a dizer. Em Pânico 7, o horror não vem apenas da lâmina de Ghostface, mas também de um medo contemporâneo: a manipulação da imagem, da identidade e da verdade em um mundo dominado por telas. 

A trama desloca o foco para uma nova geração, marcada pela hiperexposição digital e pela dificuldade de distinguir o que é real do que é fabricado. O roteiro flerta com o tema dos deepfakes e da construção de personas online, usando esses recursos como parte do jogo psicológico que sempre definiu a série. A violência continua estilizada, mas o terror agora é também simbólico, o de perder o controle sobre a própria narrativa. 

Sidney Prescott, interpretada novamente por Neve Campbell, surge em um papel mais contido, distante da “final girl” combativa que consagrou a personagem. Agora, sua principal motivação é a proteção da filha, uma jovem que ainda não desenvolveu as ferramentas emocionais, nem físicas, para sobreviver sozinha ao caos que se instala. Essa inversão de papéis confirma o conflito geracional que o filme tenta explorar. 

O problema é que ‘Pânico 7’ parece dividido entre agradar fãs antigos e conquistar espectadores mais jovens. As referências metalinguísticas continuam presentes, mas já não surpreendem como antes. Para quem acompanha a franquia desde os anos 1990, há um apelo nostálgico evidente. Para o público mais novo, o discurso pode soar didático demais, quase como um manual de perigos digitais embalado em sustos previsíveis. 

No fim, o filme funciona melhor como comentário sobre o tempo em que vivemos do que como reinvenção do terror slasher. ‘Pânico 7’ não redefine a saga, mas confirma seu esforço constante de se manter relevante, mesmo que, para isso, precise falar mais com quem cresceu com ela do que com a geração que agora tenta representar. 

Confira: