ECONOMIA


Inadimplência atinge 4,2% e bate recorde da série histórica

Juros elevados, maior risco nas carteiras e mudança regulatória pressionam indicador

Foto:Marcello Casal Jr/Agência Brasil

 

A inadimplência média das operações de crédito bancário alcançou 4,2% em janeiro, o maior nível desde o início da série histórica do Banco Central do Brasil, iniciada em 2011. O índice considera atrasos superiores a 90 dias e vem em trajetória de alta desde o ano passado, após ter fechado 2024 em 3%. Nos últimos três meses de 2025, já havia atingido 4%, então recorde.

Parte da elevação está associada à entrada em vigor da resolução 4.966 do Banco Central, que alterou a metodologia de provisão para perdas, substituindo o modelo de perda incorrida pelo de perda esperada. A mudança prolonga o tempo em que créditos inadimplentes permanecem nas carteiras, elevando o indicador. Segundo o BC, cerca de 70% da alta observada no ano passado decorreu desse ajuste técnico.

O cenário, no entanto, também reflete fatores estruturais. O endividamento das famílias atingiu 49,7% da renda em dezembro, próximo ao pico da série, enquanto a taxa básica de juros permanece em 15% ao ano, patamar mantido desde junho e o mais alto em quase duas décadas. Com crédito mais caro, cresce a participação de linhas de maior risco, como cheque especial, e rotativo do cartão, pressionando a qualidade das carteiras, especialmente no crédito com recursos livres, cuja inadimplência chegou a 5,5%.

Projeções do setor bancário indicam possível estabilização ao longo de 2026, com expectativa de recuo gradual caso haja queda da Selic. Ainda assim, analistas avaliam que o alívio tende a ser lento, condicionado à melhora das condições financeiras e à renegociação de dívidas em modalidades menos onerosas.