BRASIL


Fábrica em SP produzia cerca de 10 fuzis por dia para o Comando Vermelho, diz PF 

Instalada em Santa Bárbara d’Oeste, unidade tinha fachada de empresa fictícia e capacidade anual de mais de 3,5 mil armas; investigações se conectam à megaoperação no Rio de Janeiro  

Foto: SSP/RJ

Uma fábrica em Santa Bárbara d’Oeste, no interior de São Paulo, foi identificada pela Polícia Federal (PF) como a principal fornecedora de fuzis para integrantes da facção criminosa Comando Vermelho (CV). 

Descoberto em agosto, o local operava sob a fachada de uma empresa chamada Kondor Fly e possuía estrutura industrial sofisticada, com capacidade para produzir até dez fuzis por dia, o equivalente a 3.500 armas por ano, caso funcionasse de forma contínua. 

Produção industrial e tecnologia de ponta 

De acordo com laudo técnico divulgado pela PF em novembro, a fábrica funcionava com alto padrão de linha de montagem, empregando equipamentos de última geração. 

Entre os maquinários encontrados no galpão estavam centros de usinagem CNC (Controle Numérico Computadorizado), tornos de alta precisão, fresadoras digitais e estações de acabamento, todos utilizados para a produção e o refinamento das peças. 

Os investigadores afirmam que o esquema simulava uma empresa legal de componentes mecânicos, o que dificultava a detecção do verdadeiro propósito das atividades. 

Conexão com operação no Rio de Janeiro 

As descobertas da PF se cruzaram com os resultados da megaoperação policial no Rio de Janeiro, realizada em outubro. Durante as ações, que ocorreram em comunidades da capital, como o Complexo do Alemão, foram apreendidas ao menos 91 armas de alto calibre, parte delas, segundo as investigações, fabricadas em São Paulo e transportadas ao Rio. 

A operação foi uma das maiores já realizadas pelo governo fluminense, resultando em 121 mortes, sendo 117 civis e 4 policiais. O episódio gerou forte repercussão pública e dividiu opiniões entre defensores da ação e críticos da letalidade policial. 

Próximos passos da investigação 

A Polícia Federal apura agora quem financiava a fábrica e como era feito o escoamento das armas até o Rio de Janeiro e outros estados. 

Há indícios de que o armamento abastecia diferentes núcleos do Comando Vermelho, fortalecendo o poder bélico da facção em conflitos com grupos rivais e forças de segurança.