SALVADOR


Taxa de ocupação em hotéis de Salvador cai para 61,1% em abril e acende alerta no setor

Setor aponta impacto da baixa temporada e reforça importância de eventos e turismo de negócios para manter atividade em alta

Foto: Jefferson Peixoto/ Secom PMS

 

A rede hoteleira de Salvador encerrou o mês de abril de 2026 com taxa média de ocupação de 61,10%, número inferior ao registrado no mesmo período do ano passado, quando a capital baiana alcançou 66,03%. O resultado marca o início do segundo trimestre, considerado historicamente o período mais desafiador e de menor demanda para o turismo na cidade.

A diária média mensal em abril foi de R$ 569,70, avanço de 5,5% em relação ao valor do ano anterior. Já o RevPAR (receita por apartamento disponível), que mensura a eficiência da geração de receita do setor, atingiu R$ 348,09, o que representa uma queda de 2,3% na comparação anual, o que se deve especialmente à menor ocupação do período em 2026.

Segundo o setor, a média histórica de ocupação para o mês de abril em Salvador costuma ficar abaixo de 60%. A taxa registrada em 2025 é considerada atípica, impulsionada pela realização de grandes congressos médicos e eventos corporativos naquele período. O cenário reforça a relevância do turismo de negócios e eventos para sustentar a atividade hoteleira durante o segundo trimestre, compensando a redução natural do turismo de sol e praia.

A Semana Santa, realizada no início de abril, teve desempenho abaixo das expectativas da hotelaria. Em contrapartida, o feriado prolongado de Tiradentes contribuiu positivamente para o resultado mensal, alcançando 72% de ocupação no fim de semana do feriado.

Outro período de destaque ocorreu entre os dias 14 e 16 de abril, quando Salvador recebeu eventos de grande porte, incluindo o show internacional da banda Guns N’ Roses. Com o aumento da demanda provocado pela programação, a rede hoteleira registrou ocupação próxima de 80% nesses dias.

O presidente da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis, Seção Bahia (ABIH-BA), Wilson Spagnol, afirmou que o cenário exige atenção e reforço nas estratégias de captação de eventos para a cidade.

“Como já observado em anos anteriores, Salvador tem uma redução do fluxo turístico de lazer ao longo do segundo trimestre do ano, e por isso, o setor de eventos e congressos desempenha um papel crucial para manter os níveis de atividade da hotelaria neste período mais desafiador. Quando falamos em eventos, é importante destacar que não se trata apenas de congressos e encontros corporativos, mas também de eventos esportivos, religiosos, culturais e de outras áreas, que possuem grande potencial para atrair fluxo turístico para a cidade”, declarou.

Spagnol também destacou a importância de uma malha aérea robusta, com boa conectividade, além da manutenção de ações de promoção do destino como fatores fundamentais para o fortalecimento do setor.

Os números do desempenho hoteleiro de Salvador aqui divulgados são frutos da Pesquisa Conjuntural de Desempenho (Taxinfo), realizada pela ABIH Bahia e Brasil. O levantamento é digital e os dados são fornecidos diariamente pelos hotéis ao Portal Cesta Competitiva. A média ponderada resultante constitui indicador para avaliar a evolução da atividade de hospedagem na capital baiana.