SALVADOR


Cesta básica de Salvador tem segunda maior alta entre capitais e chega a R$662,14

Tomate lidera aumento, com alta de quase 40% em relação a fevereiro

Foto: SEI/Bahia

 

A cesta básica de Salvador ficou 7,15% mais cara entre fevereiro e março. Foi o segundo maior aumento das capitais do país, ficando atrás apenas de Manaus. Com o reajuste, o custo médio do conjunto de produtos passou para R$662,14, segundo o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese).

Em Salvador, são considerados 12 produtos para a cesta básica: feijão carioquinha, carne bovina de primeira, tomate, café em pó, pão francês, banana, arroz agulhinha, açúcar cristal, manteiga, leite integral, farinha de mandioca e óleo de soja.

Metade desses alimentos registrou aumento nos preços médios em março. No topo da lista está o tomate, que teve alta de 38,21%. Em seguida está o feijão carioquinha (15,73%), que também teve a maior alta no acumulado dos últimos 12 meses. Depois, aparece a banana (8,54%), a carne bovina de primeira (4,69%), o arroz agulhinha (2,15%) e o pão francês (0,24%).

A alta segue a tendência nacional: todas as capitais registraram aumento no custo da cesta básica em março, de acordo com a pesquisa mais recente do Dieese.

Cada produto tem a sua especificidade, mas alguns fatores ajudam a explicar o aumento geral, como a questão climática, com as chuvas fortes que acompanham o fim do verão e afetam significativamente o cultivo de produtos como o tomate, como explica a economista Ana Georgina da Silva Dias, supervisora técnica do Dieese na Bahia.

O aumento no valor dos fretes é outro ponto importante para a composição dos preços finais dos alimentos. “Se a gente tem, por exemplo, aumentos no custo do combustível, no caso, do diesel, ou problemas de logística, as próprias chuvas que acabam tornando as viagens mais longas e encarecendo o frete, isso também tem peso”, diz Ana Georgina.

A guerra envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã também não pode ser descartada das questões que influenciam a alta de preços, impactando sobretudo a matéria-prima para os fertilizantes utilizados no Brasil e o custo dos combustíveis.

Em Salvador, o preço da cesta básica em março deste ano foi 4,51% mais alto que o mesmo período de 2025. Foi o segundo maior aumento do país, atrás apenas de Aracaju (SE).

De acordo com o Dieese, um trabalhador soteropolitano que recebe salário mínimo precisou comprometer, em março, cerca de 44,16% da renda para adquirir a cesta básica (após o desconto de 7,5% da Previdência Social).

A diferença aumenta quando consideramos que, em termos nutricionais, a quantidade considerada na cesta é suficiente para alimentar apenas uma pessoa adulta ou duas crianças durante um mês.

“Se você pensar em uma família de quatro pessoas, com dois adultos e duas crianças, você precisaria de três cestas dessas. O que mostra que ultrapassaria o valor bruto do salário mínimo, que é R$1.621, sem contar com outros gastos.”, diz a supervisora técnica do Dieese.

Segundo o Dieese, em março de 2026, o salário mínimo necessário para a manutenção de uma família de quatro pessoas, considerando aspectos como alimentação, moradia, vestuário, higiene e lazer, deveria ter sido de R$7.425,99 ou 4,58 vezes o mínimo atual. Em fevereiro, o valor necessário era de R$7.164,94 e correspondeu a 4,42 vezes o piso mínimo.