POLÍTICA


Relatório da Alerj aponta favorecimento ao Banco Master em decreto do então governador do Rio

Documento afirma que mudanças nas regras do crédito consignado beneficiaram o Credcesta e impulsionaram a expansão do banco no Rio de Janeiro

Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

 

Um relatório da Comissão de Servidores Públicos da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) concluiu que um decreto assinado pelo então governador Cláudio Castro (PL), em 2021, favoreceu o Banco Master ao facilitar a expansão do Credcesta entre servidores estaduais.

Elaborado pelo deputado estadual Flávio Serafini (PSOL), o documento sustenta que a medida alterou as regras do crédito consignado para permitir o credenciamento de entidades financeiras não autorizadas pelo Banco Central e de administradoras de cartão de crédito. Cinco dias após a publicação do decreto, a operadora PKL One, ligada ao grupo do Banco Master, foi autorizada a oferecer o Credcesta a servidores e pensionistas do estado.

Segundo o relatório, o decreto também ampliou a margem consignável dos servidores ao criar um limite adicional de 20% para o cartão de benefícios, além dos 35% já previstos para empréstimos e cartões consignados. Posteriormente, outra norma elevou o limite dos consignados tradicionais para 40%, mantendo a margem específica do Credcesta.

Para a comissão, as mudanças ampliaram significativamente o potencial de endividamento dos servidores e contribuíram para o crescimento da carteira de crédito do Banco Master no estado. Em novembro de 2025, quando a instituição foi liquidada, sua carteira de consignados no Rio somava R$ 5,5 bilhões em 156 mil contratos.

O relatório também aponta que a carteira do Credcesta teve papel relevante na expansão financeira do banco e na estrutura que, segundo as investigações, antecedeu os aportes realizados pelo Rioprevidência e pela Cedae em produtos do Master.

O documento cita ainda dados do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro que atribuem ao banco 27,4% das ações por superendividamento no estado.

Autor do relatório, Serafini defende a instalação de uma CPI para apurar a atuação do Banco Master e a expansão do Credcesta no Rio. O requerimento já obteve o número necessário de assinaturas, mas ainda não foi instalado pela Assembleia.

Em nota, a defesa de Cláudio Castro negou qualquer favorecimento ao Banco Master e afirmou que todas as medidas seguiram os procedimentos legais e administrativos. Segundo a defesa, o banco apenas sucedeu uma instituição já credenciada pelo estado e o credenciamento da PKL One observou as normas vigentes.

A defesa de Daniel Vorcaro informou que não irá se manifestar sobre as conclusões do relatório. Com informações da colunista Malu Gaspar, do jornal O Globo.