POLÍTICA


PF aponta movimentação de R$ 170 milhões por empresa suspeita ligada a deputado federal

Relatório da Operação Overclean indica uso de firma fantasma para intermediação de propina; parlamentar e citados negam irregularidades e pedidos de medidas foram rejeitados pelo STF

Foto: Renato Araújo/Câmara dos Deputados

O deputado federal Vicentinho Júnior (PP0TO) e a sua esposa, Gillaynny Marjorie Duarte Borba de Oliveira, aparecem em um relatório da Polícia Federal que aponta que os dois movimentaram cerca de R$ 170 milhões em um período de seis anos por meio de uma empresa fantasma, a GMD Borba Distribuidora, suspeita de intermediar propina. O documento aparece no inquérito da Operação Overclean.

De acordo com a corporação, a empresa está localizada em Sítio Novo do Tocantins (TO). No local, vizinhos relataram à PF que funcionava uma distribuidora de bebidas havia dois ou três anos. De acordo com Vicentinho, o estabelecimento pertencia ao sogro, que morreu em abril do ano passado. Apesar disso, registros indicam que pagamentos da BRA Teles, empresa dos empresários Fábio e Alex Parente, à firma continuaram a ser feitos após o falecimento.

Ainda conforme as investigações, uma planilha apreendida com os irmãos Parente no fim de 2024 aponta o controle de pagamentos de propina ligados a um contrato entre a Secretaria de Educação do Tocantins e a empresa Larclean Saúde Ambiental. A companhia teria vencido licitações com valores até 660% acima dos praticados no mercado, totalizando R$ 13,6 milhões.

Foram identificados pela PF transferências diretas ao casal de pelo menos R$ 420 mil. Na planilha, ainda está detalhada pagamentos mensais feitos a ex-secretários estaduais e outros políticos como Elmar Nascimento, Félix Mendonça Júnior e Dal Barreto que receberiam entre R$ 10 mil e R$ 15 mil mensais.

O ministro Nunes Marques rejeitou os pedidos de busca e apreensão e de bloqueio de bens contra Vicentinho Júnior, ao apontar ausência de provas. A Procuradoria-Geral da República (PGR) também se posicionou contrariamente às medidas.

O parlamentar negou qualquer irregularidade e afirmou ao portal UOL que nunca foi investigado. Questionado sobre os pagamentos à empresa de sua esposa, disse tratar-se de “rotinas da minha vida pessoal” e que o assunto já foi esclarecido nos autos.

Os deputados Elmar Nascimento, Félix Mendonça Júnior e Dal Barreto também negam qualquer envolvimento com o esquema.