POLÍTICA


Parlamentares dos EUA cobram explicação sobre ações da gestão Trump no Brasil

Documento enviado ao secretário de Estado Marco Rubio cita sanções econômicas e pressões diplomáticas antes das eleições de outubro

Foto: Canva Imagens

Um grupo de parlamentares dos Estados Unidos enviou, nesta quinta-feira (24), uma carta ao secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio (Partido Republicano). O documento acusa o governo de Donald Trump (Partido Republicano) de promover uma campanha de interferência na democracia brasileira antes do pleito de outubro.

A iniciativa conta com a assinatura do senador Bernie Sanders (Independente) e dos deputados Pramila Jayapal (Partido Democrata), Alexandria Ocasio-Cortez (Partido Democrata), Delia Ramirez (Partido Democrata) e Jesús García (Partido Democrata). Os congressistas citam medidas adotadas desde 2025 e sustentam que as ações alteram a postura dos EUA com as instituições do Brasil.

Entre os episódios relatados está a aplicação de tarifas e sanções econômicas contra o Brasil durante o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) no Supremo Tribunal Federal (STF). Segundo o texto, a gestão Trump usou a pressão econômica sobre a Corte no processo em que o ex-mandatário responde por tentativa de golpe para permanecer no poder.

O documento cita também a investigação comercial aberta sob a Seção 301, que resultou na aplicação de tarifas de até 50% sobre produtos brasileiros. A medida ocorreu em meio a críticas de Trump a decisões da Justiça brasileira que envolvem empresas norte-americanas de redes sociais e o ex-presidente.

Outro ponto questionado pelos parlamentares é a atuação de Darren Beattie, nomeado assessor sênior do Departamento de Estado para assuntos relacionados ao Brasil. O Itamaraty impediu a entrada do funcionário no país em março, após apontar omissão e falseamento de informações sobre os motivos da viagem.

A carta menciona ainda a aproximação entre Trump e o senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência. Em maio, durante encontro no Salão Oval, Flávio solicitou a classificação do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) como Organizações Terroristas Estrangeiras (FTOs), medida adotada pelo Departamento de Estado dois dias após a reunião.

A declaração feita pelos parlamentares norte-americanos, inclusive, ocorre depois da porta-voz do departamento de Estado dos Estados Unidos, Amanda Roberson, alegar, em entrevista à CNN, que o país não tem interesse particular nas eleições brasileiras.

“Nos Estados Unidos, estamos focados nas nossas prioridades. Como falou o presidente Trump, estamos focados na segurança, na prosperidade, na paz. Trabalhando assim dentro de outros países sobre eleições não é parte da nossa estratégia”, declarou a porta-voz na quarta-feira (23).

Na segunda-feira (21), o presidente Lula afirmou, durante entrevista com a âncora da CNN, que está “muito preocupado” com possível interferência de Marco Rubio nas eleições do Brasil. A carta dos parlamentares norte-americanos, no entanto, foi destinada ao próprio Marco Rubio.