POLÍTICA


Porta-voz dos EUA alega que país não tem interesse particular nas eleições brasileiras

Amanda Roberson afirma que Washington respeita a soberania do país e manterá cooperação com qualquer candidato eleito

Foto: Embaixada dos Estados Unidos

A Porta-voz do departamento de Estado dos Estados Unidos Amanda Roberson negou interferência nas eleições brasileiras após o presidente Luiz Inácio Lula da Silva insinuar suspeitas de uso de Inteligência Artificial para influenciar o pleito presidencial com atuação do secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio. O depoimento, dado à CNN, ocorreu nesta quarta-feira (23).

Amanda afirmou que atuar sobre as eleiç~eos de outros países não faz parte dos EUA. “Nos Estados Unidos, estamos focados nas nossas prioridades. Como falou o presidente Trump, estamos focados na segurança, na prosperidade, na paz. Trabalhando assim dentro de outros países sobre eleições não é parte da nossa estratégia”, declarou.

O que falamos, sim, foi sobre a soberania do Brasil, a soberania dos Estados Unidos, e sabemos que a eleição é algo dos brasileiros, do Brasil”, disse. “A eleição é algo que o Brasil está fazendo independentemente dos Estados Unidos”, reforçou a porta-voz.

Amanda também afirmou que os Estados Unidos estão acompanhando as eleições, mas defendem um pleito livre e reconhecem que o Brasil é um país soberano.

As declarações da porta-voz dos EUA vêm no cenário em que, na segunda-feira (21), o presidente Lula afirmou que está “muito preocupado” com possível interferência de Marco Rubio, secretário de Estado dos Estados Unidos, nas eleições do Brasil, durante entrevista à Christiane Amanpour, âncora da CNN.

“Já há indícios de interferência de inteligência artificial, eu estou muito preocupado com o Marco Rubio, porque o Marco Rubio é muito ligado ao pessoal do bolsonarismo, mas, por enquanto, é só suspeita. Mas se também se meter…”, comentou o presidente.

Questionada sobre a preferência do governo Trump por um resultado específico na disputa presencial, Amanda Roberson descartou inclinações partidárias. “Acreditamos que o próximo presidente do Brasil é decisão do povo brasileiro. Queremos ver uma eleição no Brasil livre, transparente. Sabemos que através da história da relação bilateral entre Estados Unidos e Brasil, trabalhamos com líderes nos diferentes lados do espectro político e esperamos que esse trabalho vai continuar assim no futuro”, assegurou.

A porta-voz manifestou o interesse da Casa Branca na adoção de medidas mais rígidas contra facções como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho. Diante da indagação sobre maior cooperação em uma eventual gestão de Flávio Bolsonaro (PL), a diplomata reiterou o compromisso institucional com quem vencer nas urnas.

“Não sabemos qual vai ser o resultado das eleições no Brasil no próximo mês. Os brasileiros vão decidir quem vai ser o próximo presidente do Brasil. E sabemos que vamos trabalhar sempre com o governo brasileiro, independentemente do lado do espectro político, para enfrentar os desafios que compartilhamos, sobretudo a segurança nacional”, concluiu Amanda Roberson.