POLÍTICA


Ministro recebeu auxílio emergencial enquanto tinha salário de até R$ 15 mil

Benefício criado na pandemia foi pago a Édipo Araújo em período no qual ele recebeu bolsa da CAPES e salário no Ministério da Agricultura

Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil

 

O ministro da Pesca, Édipo Araújo, recebeu auxílio emergencial durante a pandemia de Covid-19 em meses nos quais também recebeu bolsa de estudos da CAPES e salário de até R$ 15 mil no Ministério da Agricultura.

Criado em 2020, o auxílio emergencial era destinado a trabalhadores informais, desempregados e pequenos empresários afetados pela crise econômica provocada pela pandemia.

Segundo o Portal da Transparência, Édipo recebeu cinco parcelas de R$ 600 entre abril e setembro de 2020, totalizando R$ 3 mil. Os valores foram devolvidos posteriormente.

Na época, o atual ministro fazia doutorado “sanduíche” entre a Universidade da Flórida, nos Estados Unidos, e a Universidade Federal do Pará (UFPA), com bolsa financiada pelo Ministério da Educação por meio da CAPES. Em parte do período, ele também ocupou cargo comissionado no Ministério da Agricultura.

Contratado para função técnica no governo Bolsonaro, Édipo foi promovido a ministro no governo Lula. Neste ano, ele assumiu o Ministério da Pesca no lugar de André de Paula (PSD). A pasta é controlada pelo PSD, de Gilberto Kassab.

Os pagamentos registrados foram os seguintes:

  • Abril: R$ 2.200 de bolsa e R$ 600 de auxílio emergencial
  • Maio: R$ 2.200 de bolsa e R$ 600 de auxílio emergencial
  • Julho: R$ 600 de auxílio emergencial
  • Agosto: R$ 12.776 do Ministério da Agricultura e R$ 600 de auxílio emergencial
  • Setembro: R$ 15.631 do Ministério da Agricultura e R$ 600 de auxílio emergencial

Por meio da assessoria, o ministro afirmou que tinha direito ao benefício porque, no momento da solicitação, estava “desempregado” e sem vínculo formal de trabalho.

Segundo a pasta, os critérios da Lei nº 13.982/2020 eram cumpridos por Édipo à época. O ministério também argumenta que o recebimento de bolsa da CAPES não impedia o acesso ao auxílio emergencial.

A assessoria informou ainda que Édipo havia sido exonerado do governo em novembro de 2019 e só voltou à administração pública em julho de 2020. De acordo com a nota, a parcela referente a julho foi paga apenas em agosto por atraso no calendário de repasses. Com informações da colunista Andreza Matais, do portal Metrópoles.