POLÍTICA


Lula reúne equipe e decide manter estratégia às vésperas de novo tarifaço

Governo espera última reunião com norte-americanos para obter prévia da decisão sobre tarifas; Planalto nega fazer novas concessões

Foto: Ricardo Stuckert / PR

 

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) reuniu ministros, nesta sexta-feira (10) no Palácio do Planalto, para tratar do tarifaço dos Estados Unidos contra o Brasil e decidiu manter a estratégia negocial junto aos norte-americanos.

No encontro, os ministros apresentaram o atual momento das negociações, em que o cenário considerado mais provável é de que os Estados Unidos taxem o Brasil em 25% no dia 15 de julho.

Segundo fontes no Planalto, pesam para a avaliação sinais negativos em reuniões com os norte-americanos, o histórico negocial da administração de Donald Trump, mas também falas públicas recentes do chefe do USTR (Representante Comercial dos EUA), Jamieson Greer.

Na reunião, Lula decidiu seguir com a estratégia adotada até agora: manter a negociação técnica, mas não fazer concessões que na visão do governo brasileiro não se justifiquem. Isso significa que temas considerados caros pelos norte-americanos, como tarifas para o etanol, seguirão fora da mesa.

Participaram da reunião Márcio Elias Rosa, do Mdic (Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços), e Mauro Vieira, das Relações Exteriores, principais representantes brasileiros no grupo de trabalho de negociação do tarifaço.

Até agora, os brasileiros se reuniram com Greer quatro vezes. O governo espera que haja ao menos mais uma reunião do grupo de trabalho antes do dia 15. A expectativa é de que neste encontro o USTR já indique ao Brasil qual será a decisão na investigação da “seção 301”.

Dentre os cenários traçados pelo Planalto, aquele considerado o mais provável segue sendo a aplicação das tarifas. Mas não está descartado, entre as projeções, que os Estados Unidos decidam adiar a aplicação das taxas, como uma maneira de viabilizar uma vitória política ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). A hipótese é considerada remota, contudo.