POLÍTICA


Lula indica que Lulinha deve se defender: ‘Não é justo que eu seja responsabilizado’

Presidente deve manter distância segura de parentes e aliados investigados por supostas irregularidades

Foto: Ricardo Stuckert/Presidência da República

 

O presidente Lula (PT) tem indicado a pessoas próximas que seu filho, Lulinha, e seu ex-chefe de gabinete, Marcola, devem fazer sua própria defesa, sem qualquer ajuda do chefe do Executivo federal.

Para o presidente, haverá uma distância segura entre ele e seus parentes e aliados investigados por supostas irregularidades. “Não cometi nenhuma irregularidade e não é justo que eu seja responsabilizado”, disse a interlocutores. As informações são do colunista Gustavo Uribe, da CNN Brasil.

Entenda o caso

O ex-chefe de gabinete do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola, afirmou nesta segunda-feira (3) que contraiu e quitou um empréstimo pessoal com a empresária Roberta Luchsinger, investigada pela Polícia Federal. A declaração foi feita após reportagem do site Poder360 apontar que ele teria recebido pagamentos da empresária.

Em nota, Marcola disse ter recebido a informação com surpresa e negou qualquer irregularidade. “Nunca tive nenhuma relação que caracterize ilegalidade no exercício de minha função”, afirmou. Ele deixou a chefia de gabinete da Presidência há duas semanas para integrar a equipe de campanha de Lula.

Amiga de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, Roberta Luchsinger é alvo de investigações conduzidas pela Polícia Federal. A empresária foi citada em apurações relacionadas à Operação Sem Desconto, que investiga um suposto esquema de fraudes em descontos aplicados a aposentados e pensionistas do INSS. Ao Poder360, a defesa dela informou desconhecer o empréstimo mencionado.

O caso também foi explorado politicamente pelo senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL), que questionou a origem dos recursos em vídeo divulgado nas redes sociais.

Segundo a Polícia Federal, Roberta manteve relação com Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, apontado como um dos operadores do esquema investigado. A corporação identificou transferências de cerca de R$ 1,5 milhão de empresa ligada ao empresário para uma companhia da empresária.

Paralelamente, Lulinha é alvo de duas investigações autorizadas pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que apuram suspeitas de tráfico de influência em órgãos do governo federal. A PF também solicitou a abertura de uma terceira investigação, cujo pedido está sob relatoria do ministro Flávio Dino.