POLÍTICA


Lula diz que Rubio é ‘anti-América Latina’ e não gosta do Brasil

Presidente disse ainda que já expressou sua insatisfação com Rubio diretamente ao presidente norte-americano

Fotos: Reprodução/ Instagram; Ricardo Stuckert/PR

 

O presidente Lula (PT) criticou nesta terça-feira (2) o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, afirmando que o aliado de Donald Trump age contra a América Latina. Em discurso na cidade Catalão (GO), Lula disse que Rubio “é anti-América Latina, inimigo mortal de Cuba e inimigo mortal de vários países latino-americanos” ao citar a ausência do secretário de Estado na reunião que teve com Trump em maio.

O presidente disse ainda que já expressou sua insatisfação com Rubio diretamente ao presidente norte-americano: “Eu já disse ao Trump que ele [Rubio] não gosta do Brasil.” As críticas foram feitas em um discurso no qual o presidente lamentou a decisão do governo Donald Trump de propor um novo tarifaço de 25% sobre bens importados do Brasil.

Também nesta terça-feira, o secretário de Estado disse que o Brasil não faz parte do grupo de nações consideradas amigáveis aos interesses dos EUA no hemisfério ocidental e destacou que o país está “no meio de um ciclo eleitoral”.

Lula, por sua vez, destacou as negociações que o Executivo têm mantido com o governo Donald Trump desde o ano passado e afirmou que a proposta de um novo tarifaço acontece dias depois do senador Flávio Bolsonaro (PL) ter se reunido com Rubio.

“Esses filhos do Bolsonaro conseguem ser piores do que ele. São, na verdade, vendilhões da pátria. Foram pedir para que um país estrangeiro se intrometesse nas decisões brasileiras. São traidores”, afirmou Lula sobre seu provável adversário nas eleições de outubro.

Na sequência, chamou a família de Jair Bolsonaro (PL) de “família metralha”, acusou os filhos do ex-presidente de atuar contra os interesses nacionais e disse ainda que Flávio “foi pedir arrego” a Trump em uma tentativa de prejudicá-lo para as eleições.

“Imbecil. Ele não sabe que não vai prejudicar o Lula, ele vai prejudicar o povo brasileiro, vai prejudicar os empresários brasileiros, vai prejudicar o agronegócio”, afirmou. Nesta terça-feira, o senador Flávio Bolsonaro afirmou que pediu “expressamente” para que Trump não aplicasse uma tarifa sobre as empresas brasileiras.

A proposta de um novo tarifaço acontece após o governo Trump concluir a investigação da seção 301 contra o Brasil. A investigação acontece por meio do USTR (Escritório do Representante de Comércio dos EUA), que apontou práticas comerciais injustas do Brasil.

Agora, o USTR deve abrir uma consulta para que o setor privado comente os resultados antes da elaboração do relatório definitivo, que precisa ser publicado até 15 de julho. A decisão sobre aplicação ou não cabe a Trump.