POLÍTICA


Lula articula reforma ministral com foco no Centrão e troca na Fazenda

Presidente eleito inicia distribuição de cargos após feriado para assegurar base no Congresso

Foto: Ricardo Stuckert / PR

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) inicia as tratativas para a composição dos ministérios de seu quarto mandato logo após o feriado de Finados, na segunda-feira (2). O objetivo da reforma é acomodar legendas no Centrão e aliados políticos para garantir base de votação no Congresso Nacional.

A articulação também foca na formação de novos quadros partidários para a sucessão de 2030.

A mudança com maior impacto aguardada pelo mercado financeiro envolve a reestruturação do Ministério da Fazenda. O governador do Piauí, Rafael Fonteles (PT), desponta como o nome prioritário para substituir Dario Durigan no comando da equipe econômica.

Rafael Fonteles exige autonomia total na condução da pasta ministerial. O convite oficial deve ocorrer na próxima semana, durante viagem presidencial a Teresina. Nos bastidores, a recusa é considerada improvável sob a avaliação de que “se Lula chamar, não se pode dizer não”.

O antigo ministro Fernando Haddad (PT), derrotado por Tarcísio de Freitas (Republicanos) na eleição paulista com 62% dos votos, planeja retorno à vida acadêmica. Na Secretaria de Comunicação Social, o jornalista Laércio Portela é o favorito para a vaga de Sidônio Palmeira, responsabilizado internamente pelo baixo desempenho eleitoral.

Na área da Educação, Leonardo Barchini deve ser efetivado na titularidade do ministério devido aos resultados positivos na gestão provisória. Ele atua na posição desde a saída do antigo chefe da pasta, no mês de abril. Sem espaço na Educação, o ex-ministro Camilo Santana (PT) passa a ser a principal aposta para assumir a Casa Civil, hoje sob chefia de Miriam Belchior.

A criação de um Ministério da Segurança Pública depende da aprovação de uma Proposta de Emenda à Constituição com tramitação no Senado. O promotor de Justiça Lincoln Gakiya e o ex-governador Rui Costa (PT) disputam o comando desta nova estrutura.

Parte dos ministros atuais possui garantia de permanência em seus respectivos postos no novo mandato. Alexandre Padilha (PT) segue na Saúde, enquanto Marina Silva (Rede) e Simone Tebet (PSB) voltam ao Meio Ambiente e ao Planejamento. No setor de fomento, Aloízio Mercadante (PT) retoma a presidência do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social.

O Ministério das Cidades avalia João Campos (PSB) para substituir o técnico Vladimir Lima na gestão da pasta. O Planalto também estuda cargos para as deputadas federais Ana Elisa (PT), Ana Julia Ribeiro (PT) e Dandara Tonantzin (PT), além do parlamentar André Janones (Rede).