POLÍTICA


Declaração de Jaques Wagner teria sido ‘estopim’ para cancelamento da sabatina de Messias no Senado

Alcolumbre interpretou fala do líder do governo como tentativa do Planalto de interferir no calendário da indicação ao STF

Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado

 

Uma declaração do líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT), provocou a reação imediata do presidente da Casa, Davi Alcolumbre (UB), que decidiu cancelar a sabatina de Jorge Messias, indicado do presidente Lula para o Supremo Tribunal Federal. O anúncio foi feito na terça-feira (2). As informações são da coluna Igor Gadelha, do Metrópoles.

Segundo aliados, Alcolumbre se irritou após Wagner afirmar, em entrevista no início da tarde, que não havia previsão para o envio da mensagem oficial com a indicação de Messias ao Senado. Para o presidente da Casa, a declaração reforçou a percepção de que o Palácio do Planalto estaria tentando interferir no ritmo de análise da indicação, atribuição que ele considera exclusiva do Senado.

Diante disso, Alcolumbre optou por anunciar o cancelamento da sabatina para evitar, segundo interlocutores, o que classificou como um “jogo” político do governo.

A escolha de Lula por Jorge Messias foi divulgada em 20 de novembro, mas o Planalto não formalizou o nome ao Senado. Mesmo sem a mensagem oficial, Alcolumbre havia marcado a sabatina para 10 de dezembro, com parecer do relator Weverton Rocha (PDT) previsto para esta quarta-feira (3).

Nos bastidores, o governo trabalhava para adiar a análise, temendo dificuldades para aprovar Messias diante da resistência do próprio presidente do Senado. A decisão de Alcolumbre não foi antecipada a ministros nem às lideranças do governo. “Ele pegou todos nós de surpresa”, relatou um senador da base.

Aliados afirmam que, mesmo que Lula envie a indicação nos próximos dias, o calendário não deve ser retomado tão cedo. A tendência é de que a sabatina seja empurrada para 2026.