POLÍTICA


Bruno Reis diz que oposição não tem credibilidade para pedir CPI sobre desvio de R$ 38,3 mi

MP suspeita de superfaturamento de empresas que venceram licitações da prefeitura

Foto: Eduardo Costa/MundoBA

 

O prefeito Bruno Reis (União Brasil) afirmou ao MundoBA que a oposição na Câmara de Vereadores não tem credibilidade para pedir a instalação de uma CPI após o Ministério Público da Bahia apontar um suposto desvio de R$ 38,3 milhões em licitações na gestão municipal.

“Não tem credibilidade porque não faz uma referência aos problemas que envolvem o Estado. Há diversos secretários [estaduais] investigados no Estado e eles não tomam nenhuma providência. Os aliados deles [secretários estaduais] na Câmara Municipal de Salvador não falam nada”, disse Bruno Reis na manhã desta quinta-feira (16), durante evento da Prefeitura de Salvador na Baixa dos Sapateiros.

Bruno Reis, no entanto, não mencionou secretários estaduais que são investigados. Atualmente, o senador Jaques Wagner (PT-BA) teve seu nome associado ao Banco Master após a revelação de que a empresa de sua nora, Bonnie de Bonilha, recebeu R$ 11 milhões do banco de Daniel Vorcaro.

Segundo o portal Metrópoles, a BK Financeira pertence à Bonnie de Bonilha, casada com Eduardo Sodré, secretário de Meio Ambiente da Bahia e enteado de Wagner. O sócio dela é o advogado Moisés Dantas.

Investigação de superfaturamento na Prefeitura de Salvador

O Ministério Público da Bahia (MP-BA) identificou que as cinco empresas investigadas por suspeita de superfaturamento em contratos com a Prefeitura de Salvador receberam, juntas, pelo menos R$ 321 milhões em contratos firmados com a gestão municipal entre 2015 e julho de 2026. As informações são da coluna de Milena Teixeira, do Metrópoles.

O período dos contratos abrange a gestão do ex-prefeito, ACM Neto (União Brasil), e do atual gestor, Bruno Reis (União Brasil).

De acordo com o MP, as empresas são investigadas por fraude em licitações, direcionamento de contratos públicos e superfaturamento.

Segundo a reportagem, as companhias prestaram serviços para diversas secretarias municipais e também para o gabinete dos prefeitos ao longo dos últimos anos.

Quem mais recebeu em contrato com a prefeitura foi a G3 Polaris Serviços, que faturou R$ 124,8 milhões. Os pagamentos começaram abaixo de R$ 1 milhão no primeiro ano e chegaram a cerca de R$ 25 milhões anuais nos anos mais recentes.

Em seguida aparece a Podium Distribuidora, faturando R$ 85,5 milhões desde 2015. A empresa manteve contratos com as secretarias de Saúde e de Manutenção, além de ter prestado serviços diretamente ao Gabinete do Prefeito em 2018, durante a gestão de ACM Neto.

As demais empresas também movimentaram valores expressivos em contratos com a Prefeitura de Salvador. A LN Distribuidora e Comércio recebeu R$ 45,4 milhões, a WLSP Logística e Transportes somou R$ 37,6 milhões, enquanto a MP2 Construções acumulou R$ 27,7 milhões

Ainda de acordo com o MP, uma das sócias da MP2 Construções seria utilizada como “laranja” do grupo. Mesmo com as investigações em andamento, a empresa firmou novos contratos com o município e já recebeu R$ 1,68 milhão em 2026.

Até o momento, por causa da operação, a Justiça da Bahia determinou os afastamentos do secretário municipal de Articulação Comunitária e Prefeituras-Bairro, Luciano Sandes, e do vereador George Gordinho da Favela (PP-BA).

Bruno Reis (União Brasil) disse que vai solicitar a rescisão dos contratos mantidos pelo município com as empresas investigadas. O gestor também anunciou a abertura de sindicâncias internas para apurar o caso.

Em nota, George Carlos informou que não teve acesso aos autos e se colocou à disposição para prestar esclarecimentos. O texto da assessoria do vereador licenciado diz que ele sempre atuou com honestidade e respeito ao patrimônio público.

O agora ex-secretário Luciano Sandes afirmou que mantém serenidade e a confiança de que, ao fim das apurações, todos os fatos serão esclarecidos e sua inocência será provada.