POLÍTICA


Bruno Reis diz que deputado petista precisa estudar legislação antes de acusá-lo de prevaricação

Ministério Público aponta suposto desvio de R$ 38,3 milhões em licitações na prefeitura

Foto: Eduardo Costa/MundoBA

 

O prefeito Bruno Reis (União Brasil) disse que o deputado estadual Robinson Almeida precisa estudar legislação antes de acusá-lo de prevaricação após MP apontar suposto desvio de R$ 38,3 milhões em licitações na prefeitura. “Eu acho que ele entende quase nada ou muito pouco”, disse Bruno Reis na manhã desta quinta-feira (16), durante evento da Prefeitura de Salvador na Baixa dos Sapateiros.

Robinson Almeida disse na quarta-feira (15) que Bruno Reis admitiu ter sido omisso diante das irregularidades. “Se tinha suspeita, por que não abriu uma sindicância para investigar? Por que manteve os servidores envolvidos, que só foram afastados por decisão da Justiça?”, disse.

Investigação de superfaturamento na Prefeitura de Salvador

O Ministério Público da Bahia (MP-BA) identificou que as cinco empresas investigadas por suspeita de superfaturamento em contratos com a Prefeitura de Salvador receberam, juntas, pelo menos R$ 321 milhões em contratos firmados com a gestão municipal entre 2015 e julho de 2026. As informações são da coluna de Milena Teixeira, do Metrópoles.

O período dos contratos abrange a gestão do ex-prefeito, ACM Neto (União Brasil), e do atual gestor, Bruno Reis (União Brasil).

De acordo com o MP, as empresas são investigadas por fraude em licitações, direcionamento de contratos públicos e superfaturamento.

Segundo a reportagem, as companhias prestaram serviços para diversas secretarias municipais e também para o gabinete dos prefeitos ao longo dos últimos anos.

Quem mais recebeu em contrato com a prefeitura foi a G3 Polaris Serviços, que faturou R$ 124,8 milhões. Os pagamentos começaram abaixo de R$ 1 milhão no primeiro ano e chegaram a cerca de R$ 25 milhões anuais nos anos mais recentes.

Em seguida aparece a Podium Distribuidora, faturando R$ 85,5 milhões desde 2015. A empresa manteve contratos com as secretarias de Saúde e de Manutenção, além de ter prestado serviços diretamente ao Gabinete do Prefeito em 2018, durante a gestão de ACM Neto.

As demais empresas também movimentaram valores expressivos em contratos com a Prefeitura de Salvador. A LN Distribuidora e Comércio recebeu R$ 45,4 milhões, a WLSP Logística e Transportes somou R$ 37,6 milhões, enquanto a MP2 Construções acumulou R$ 27,7 milhões

Ainda de acordo com o MP, uma das sócias da MP2 Construções seria utilizada como “laranja” do grupo. Mesmo com as investigações em andamento, a empresa firmou novos contratos com o município e já recebeu R$ 1,68 milhão em 2026.

Até o momento, por causa da operação, a Justiça da Bahia determinou os afastamentos do secretário municipal de Articulação Comunitária e Prefeituras-Bairro, Luciano Sandes, e do vereador George Gordinho da Favela (PP-BA).

Bruno Reis (União Brasil) disse que vai solicitar a rescisão dos contratos mantidos pelo município com as empresas investigadas. O gestor também anunciou a abertura de sindicâncias internas para apurar o caso.