JUSTIÇA


CNMP é pressionado a regulamentar cotas nos concursos do Ministério Público

Observatório da Branquitude apresentou um pedido de providências

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

 

O procurador-geral da República, Paulo Gonet, presidente do Conselho Nacional do Ministério Público, foi provocado a tirar da gaveta a regulamentação das ações afirmativas nos concursos do Ministério Público. O Observatório da Branquitude apresentou um pedido de providências para que o órgão esclareça qual norma atualmente disciplina a reserva de vagas e dê andamento à atualização das regras. A informação é da coluna de Lauro Jardim, do jornal O Globo.

A entidade diz que a Resolução CNMP nº 170, de 2017, que previa 20% de reserva para candidatos negros, perdeu a vigência em 9 de junho de 2024.

Desde novembro de 2025, o Conselho discute uma nova regra, que amplia a reserva para 30% — 25% para pretos e pardos, 3% para indígenas e 2% para quilombolas — e estabelece critérios para concursos com duas ou mais vagas e para vagas surgidas durante a validade dos certames.

Os MPs vêm adotando critérios diferentes. Levantamento do Observatório mostra que, dos 13 editais lançados desde junho de 2024, a maioria manteve os 20% da regra antiga. Paraná e Bahia, porém, já adotaram os novos percentuais de 30% ou mais.

O vácuo também abre duas frentes de risco: candidatos da ampla concorrência podem questionar judicialmente a validade das regras adotadas sem respaldo normativo atualizado e, na ausência de uma regulamentação geral do CNMP, futuros concursos podem deixar de prever as cotas.

A proposta que atualiza a regra já entrou pelo menos 11 vezes na pauta do plenário do CNMP sem ser votada. O pedido agora é para que o Conselho informe qual regra está valendo e leve a proposta à deliberação do plenário.