ENTRETENIMENTO


Festival Paisagem Sonora divulga programação da 8ª edição

Com o tema “Cidade Encantada”, o festival da UFRB acontece de 10 a 13 de dezembro, no MUNCAB, em Salvador, junto com o II Seminário Nacional de Educação e Música

Foto: Ricardo Prado

 

A programação da 8ª edição do Festival Paisagem Sonora foi lançada nesta quarta-feira (4), no Museu Nacional da Cultura Afro-Brasileira (MUNCAB), em Salvador. O museu também será a casa do festival, que acontece entre os dias 10 e 13 de dezembro. Com o tema “Cidade Encantada”, a edição reúne shows, seminários, oficinas, lançamentos de livros e performances. Um dos destaques é o encontro de Mateus Aleluia com a cantora cabo-verdiana Mayra Andrade e a Orquestra Afrosinfônica, na noite de abertura.

Nascido no Recôncavo baiano, o festival integra o programa Paisagem Sonora, da Pró-Reitoria de Extensão e Cultura da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB), com apoio da SECADI/MEC, da Fundação Cultural Palmares e do Ministério da Cultura. Mais do que um evento, o Paisagem Sonora é uma política pública de extensão universitária que une pesquisa, cultura e ancestralidade. O festival se consolida como uma plataforma de encontro entre música, artes visuais, educação, memória, patrimônio, culturas digitais e experiências afro-diaspóricas. Em 2026, ele é realizado junto com o II Seminário Nacional de Educação e Música, que discute como reconhecer, produzir e transmitir conhecimentos construídos pela música, pelo corpo, pela imagem, pela oralidade e pela experiência.

O tema “Cidade Encantada” propõe uma Salvador que, além de vista por seus mapas e monumentos, precisa ser escutada. É uma cidade feita dos sons que atravessam as ruas, das festas que ocupam seus territórios e dos saberes transmitidos entre gerações, que podem ser vistas nas obras de Babalu, artista homenageado nesta edição. “A homenagem a Babalu traz a dimensão de uma Salvador encantada, de uma Salvador inventada por ele também. Nesta edição, estamos tentando levar isso não só para o campo da visualidade, com a publicação Babalu e a Cidade Encantada, mas também para os shows. O festival vem com essa ideia de cidade encantada e, ao mesmo tempo, com essa relação de um avô que conta histórias para os seus filhos, para os seus netos”, afirma Danilo Barata, Pró-Reitor de Extensão e Cultura da UFRB.

Programação
“Na programação, temos artistas que são mestres, consolidados há muito tempo, como Mateus Aleluia, Sapopemba, Gerônimo Santana e Márcia Short. São artistas maduros, com uma trajetória rica na música brasileira, e nos interessa colocá-los em diálogo com os jovens e com o público de todas as idades. Todos eles vão participar de alguma atividade, como forma de aproximar o público não só da performance musical, mas também de como esses artistas elaboram seu pensamento”, destaca Barata.

A programação começa na véspera, na quarta-feira (9), com oficinas formativas para profissionais da área, sobre montagem e direção de palco, curadoria e produção em festivais e concepção de luz.

A abertura oficial, na quinta-feira (10), tem performance dos Alabês do Terreiro Axé Ojú Onirê e uma mesa com a reitora da UFRB, Georgina Gonçalves, a secretária da SECADI/MEC, Zara Figueiredo, João Jorge, da Fundação Cultural Palmares, Mateus Aleluia, J Cunha e representantes da Sociedade Protetora dos Desvalidos e do MUNCAB. O dia inclui ainda o lançamento do box infantil “Cantos de Avô”, de Mateus Aleluia, e termina com o show em que Mateus Aleluia recebe Mayra Andrade e a Orquestra Afrosinfônica, regida pelo maestro Ubiratan Marques.

Na sexta-feira (11), os seminários “Cantos de Avô: Histórias Afro-atlânticas de Aleluia” e “Música e Territórios” antecedem os shows de Alessandra Leão, Sapopemba e do haitiano-canadense Vox Sambou. No sábado (12), as mesas tratam de educação antirracista e das “Visualidades do Carnaval Negro”, com J Cunha, Alberto Pitta, Ray Vianna e Laurisabel Assil. À noite, Gerônimo Santana convida Márcia Short e o Cortejo Afro.

O domingo (13) é dedicado ao público infanto-juvenil, com uma animação sobre Mateus Aleluia, oficina de breaking com a B-Girl Thina Reis e performance de hip-hop. O encerramento traz o lançamento do livro-objeto “Histórias de Ogum”, de J Cunha, e a apresentação do primeiro ano do programa Multiplus, do MUNCAB.

Ao longo dos dias, o festival também tem oficinas de VJ, DJ e design de roupa de festa, além de sets de VJs e DJs antes dos shows.

Lançamento
A noite de lançamento da programação, no MUNCAB, contou também com o lançamento do livro “Poder e Preconceito: Desigualdade Racial nos Estados Unidos, Brasil e Nova Escócia”, de Martin Carnoy e Michael França (Editora Jandaíra), seguido de uma mesa de apresentação com os autores mediada por Zara Figueiredo (SECADI/MEC). O público recebeu a PS Magazine, revista do festival.

Esse é o primeiro ano da parceria entre o festival e o MUNCAB. “A parceria entre o MUNCAB e o Festival Paisagem Sonora é estratégica porque aproxima instituições e iniciativas que compartilham o compromisso com a valorização das culturas afro-brasileiras. Queremos que o museu seja cada vez mais um espaço de articulação, circulação e fortalecimento da produção artística negra. Receber o festival é contribuir para ampliar essas redes e criar novas oportunidades de encontro entre artistas, pesquisadores e sociedade”, afirma Cintia Maria, diretora-geral do MUNCAB.