ENTRETENIMENTO


Aos 68, Andie MacDowell defende mais espaço para mulheres maduras no cinema 

Atriz fala sobre envelhecimento, representatividade e os cabelos grisalhos em entrevista durante a Semana de Moda de Paris 

Foto: reprodução/ redes sociais

Aos 68 anos e com mais de quatro décadas de carreira, Andie MacDowell quer ver mais mulheres maduras ocupando o centro das histórias contadas por Hollywood. Conhecida principalmente pelos papéis em comédias românticas nos anos 1990, a atriz afirma que ainda existe muito espaço para ampliar a representação de sua geração nas telas. 

“Somos mais numerosas do que qualquer outro tipo de pessoa, precisamos nos ver representadas”, afirmou Andie em entrevista à revista ‘Quem’, em Paris. 

A atriz participou na segunda-feira (28) do Le Défilé de L’Oréal Paris, evento que abriu a Semana de Moda de Paris e teve como temas a inclusão, a diversidade e a sororidade. O desfile também colocou em evidência uma característica que se tornou uma de suas marcas: os cabelos grisalhos, assumidos há alguns anos. 

“É simplesmente quem eu sou” 

Andie conta que não pensa muito sobre a decisão de manter os fios brancos. Para ela, o cabelo combina com sua personalidade e com a imagem que construiu ao longo dos anos. 

“Ele combina com quem eu sou, com o meu rosto, minha essência, não acho que eu poderia ser de outra maneira”, afirmou. 

A atriz ressalta que a escolha de assumir os cabelos grisalhos não significa que outras mulheres devam fazer o mesmo. Ela diz respeitar quem prefere pintar os fios e cita as próprias irmãs como exemplo. 

Para manter o cabelo saudável, Andie evita procedimentos excessivos e o uso constante de fontes de calor. Segundo ela, hidratação e cuidados básicos são suficientes na maior parte do tempo. 

Mais histórias sobre mulheres maduras 

Na avaliação da atriz, a indústria cinematográfica avançou na forma como retrata as mulheres, mas ainda precisa mudar. Ela gostaria de encontrar mais personagens e histórias protagonizadas por mulheres de sua faixa etária. 

Andie lembra que começou no cinema aos 23 anos e que passou boa parte da carreira estrelando comédias românticas. Para ela, o gênero ainda oferece poucas oportunidades para atrizes maduras. 

“O lado bom de envelhecer é que as pessoas puderam me enxergar de uma maneira diferente”, disse. A atriz afirma que, com o passar dos anos, passou a receber personagens diferentes, incluindo figuras mais excêntricas, e teve a oportunidade de experimentar outras formas de poder em cena. 

Sobre a falta de produções voltadas a esse público, Andie acredita que existe uma preocupação comercial por parte dos estúdios. 

“Acho que eles pensam que não vai dar dinheiro, porque é isso que faz o mundo girar. Mas acho que daria, sim, porque somos tantas”, afirmou. 

Beleza e sororidade 

Durante a entrevista, Andie também defendeu uma visão mais ampla sobre beleza. Para ela, o conceito não deve ser restrito a determinados padrões e precisa estar associado à autenticidade. 

“Todo mundo precisa entender qual é a sua verdadeira beleza e ser autêntico consigo mesmo”, afirmou. 

Feminista, a atriz também destacou a importância da união entre mulheres. Segundo ela, fortalecer e apoiar umas às outras é fundamental para promover mudanças sociais. 

Para participar do desfile em Paris, Andie contou que sua preparação foi simples: priorizou uma boa noite de sono, exercícios e uma massagem. 

“Adoro ter uma boa noite de sono”, brincou.