ELEIÇÕES


Tarcísio derrotará Haddad e se reelegerá em São Paulo, projeta Datafolha

Instituto de pesquisas do Grupo Folha projetou vitória quando 17,25% das urnas haviam sido apuradas; Tarcísio somava 66,6%, e Haddad, 32,57%

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

 

Tarcísio de Freitas (Republicanos) irá derrotar o ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad (PT) e governar o Estado de São Paulo por mais quatro anos, projeta o Datafolha, instituto de pesquisas do Grupo Folha.

Para projetar a vitória, o Datafolha acompanha os dados da apuração divulgados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e, por meio de um sistema próprio, faz a projeção do resultado considerando o agrupamento de eleitores por mesorregião e natureza do município em cada estado. Quando há um número razoável de votos apurados nesses agrupamentos, é possível estimar que um candidato não poderá mais ser ultrapassado e, portanto, projetar sua vitória.

No momento em que o instituto de pesquisa projetou a vitória, 17,25% das urnas haviam sido apuradas. Tarcísio somava 66,6%, e Haddad, 32,57%.

A última vez que a eleição havia sido resolvida no primeiro turno foi em 2014, quando o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), na época filiado ao PSDB e disputando a reeleição, obteve 12,2 milhões de votos, 57,31% dos válidos, na etapa inicial.

Ao longo de uma campanha eleitoral monótona, o governador, bem avaliado, limitou sua exposição para evitar erros, e o ex-ministro do presidente Lula (PT) não conseguiu superar limitações em um estado com maioria antipetista.

O governador chegou à reta final da disputa com 47% da população aprovando sua gestão, de acordo com o instituto. Antes, seu nome chegou a ser defendido por integrantes do centrão para a disputa à Presidência, algo que Tarcísio sempre se esquivou publicamente de defender. No fim de 2025, acabou preterido na direita, e passou a tratar exclusivamente da reeleição.

As campanhas de Tarcísio e Haddad já esperavam que a disputa se encerrasse no primeiro turno. Tarcísio contou com o apoio de todos os partidos da centro-direita, sem deixar espaço para um candidato alternativo nesse campo político, assim como Haddad aglutinou os partidos relevantes da centro-esquerda.

Maior colégio eleitoral do país, São Paulo concentrou a atenção das duas principais campanhas presidenciais. Enquanto o PT lançou Haddad para reforçar a campanha de Lula no estado, Flávio Bolsonaro (PL) esperava encontrar em Tarcísio uma ponte para chegar ao eleitor paulista.

Com a série de polêmicas ao redor de Flávio ao longo da campanha, a proximidade ao filho de Jair Bolsonaro (PL) foi mantida no menor nível necessário para manter as alianças já estabelecidas com o bolsonarismo, que no primeiro mandato não administrou nenhum setor do governo paulista. Tarcísio evitou falar de Flávio nos dois debates em que participou e o manteve fora de seu feed nas redes sociais por toda a disputa.

A propaganda de Tarcísio destacou a retomada de obras de infraestrutura que estavam paradas em São Paulo, como o trecho norte do Rodoanel e as linhas 17-Ouro e 6-Laranja do metrô. O governador chegou à campanha sem ter terminado nenhuma delas, mas conclusões parciais foram suficientes para dar conteúdo às peças publicitárias, que também exibiram entregas da habitação e o programa Tabela SUS Paulista, uma política de aumento de repasses para instituições filantrópicas de assistência médica.

“Eu acho que deu certo”, disse o governador, na última quinta-feira, ao analisar sua campanha, após uma caminhada no calçadão do centro de Carapicuíba, na região metropolitana da capital.

Entre as principais promessas de Tarcísio para os próximos quatro anos estão a construção de um trem entre São Paulo e Campinas, de um novo centro administrativo em Campos Elíseos, bairro do centro da capital, do túnel Santos-Guarujá e de duas linhas de metrô, uma chegando a Guarulhos e outra ao ABC.