ELEIÇÕES


Rui Costa diz que exames e consultas na gestão Bruno Reis são negociados por cabos eleitorais

Ex-ministro afirma que o programa municipal de melhoria de moradias também estaria sendo utilizado como moeda de troca política

Foto: Vitor Pereira/MundoBA

 

O ex-ministro da Casa Civil, Rui Costa, voltou a criticar a saúde pública de Salvador sob a gestão de Bruno Reis (União Brasil) e afirmou que a população precisa procurar um cabo eleitoral para ter acesso a exames e consultas. Segundo ele, a prática transforma um direito da população em instrumento de favorecimento político.

“Em Salvador, pra ter acesso a exame, o povo tem que procurar um cabo eleitoral. Isso é politicagem, é chantagem eleitoral”, declarou Rui Costa, sem citar nomes.

“Isso não é política pública”, continuou o petista em entrevista à rádio Popular FM.

Para o ex-ministro da Casa Civil e ex-governador, a administração municipal promove desigualdade no acesso aos serviços básicos. Ele afirmou que uma parcela significativa da população da capital ainda vive sem cobertura de atenção básica.

Pré-candidato ao Senado, Rui Costa disse ouvir relatos de que exames e consultas estariam sendo distribuídos por meio de cotas ligadas a vereadores, cabos eleitorais e lideranças políticas, em vez de obedecerem a critérios técnicos e universais do SUS (Sistema Único de Saúde).

De acordo com o ex-ministro, cerca de 40% dos moradores de Salvador não contam com postos de saúde em suas regiões. Dificuldades para obter medicamentos e atendimento médico engrossam a lista de queixas.

“O que mais o povo reclama é que falta posto de saúde, falta remédio, e não consegue fazer exames nem consultas”, afirmou Rui Costa.

Rui Costa também afirmou que o programa municipal de melhoria das moradias — o Morar Melhor — também estaria sendo utilizado como moeda de troca política. Ele, no entanto, não mencionou nominalmente a iniciativa.

“Imagine se o Minha Casa, Minha Vida funcionasse por indicação de vereador ou deputado. Isso seria uma chantagem eleitoral”, disse.

Na entrevista, Rui Costa afirmou ainda que investimentos em infraestrutura urbana e habitação deveriam contemplar bairros inteiros, sem distinção política entre os moradores. Para ele, programas públicos precisam ser executados de forma transparente e garantir acesso igualitário, sem intermediação de agentes políticos.