ELEIÇÕES


Discurso de Lula na ONU deve ter recados a Trump contra tarifaço e interferência nas eleições

Presidente deve defender a soberania brasileiro em meio ao tarifaço dos EUA e às tensões com o homólogo americano

Foto: Ricardo Stuckert/PR

 

O presidente Lula (PT) deve dedicar nesta terça (22) parte dos seus cerca de vinte minutos de discurso na Assembleia Geral da ONU para mandar recados a Donald Trump contra a tentativa de interferência nas eleições do Brasil. Após sua fala, não está descartado que o petista se reencontre de novo com o homólogo norte-americano, segundo a repórter Marian Sanches, do portal UOL.

Caso se confirme, será a primeiro encontro presencial desde maio, quando Lula visitou o republicano na Casa Branca, e desde que os EUA retomaram um tarifaço, de 37,5%, contra o Brasil, em julho.

Em uma prévia talvez até mais dura e direta do pronunciamento que fará na ONU, Lula disse em entrevista à CNN americana que Donald Trump age como ‘imperador’, não descarta acionar a Lei de Reciprocidade Econômica contra os EUA caso não haja acordo comercial e afirmou desconfiar que o secretário de Estado do país, Marco Rubio, esteja agindo para desequilibrar a eleição presidencial do Brasil em favor da família Bolsonaro.

“Eu gosto de respeitar e de ser respeitado”, declarou Lula. A estratégia parece ser já um clássico da maneira como Lula lida com Trump, um líder que já disse não gostar de “perdedores” e que demonstra desprezo por quem é demasiado reverente a ele.

No ano passado, depois do abraço de menos de um minuto com Lula às margens da Assembleia Geral, Trump surpreendeu até seu secretário de Estado Rubio ao anunciar durante discurso na ONU que teve “química” com Lula.

Em que pese ter citado a Amanpour a necessidade de uma reforma ao insuficiente Conselho de Segurança da ONU, a exasperação com o aumento da pobreza e do armamento dos países, o aborrecimento com a fragilidade do multilateralismo, patrocinado em larga medida por Trump, Lula distribuiu recados ao Brasil. A mesma dinâmica deve se repetir no discurso de hoje.

“Não queremos desafiar ou confrontar. O presidente Trump foi eleito para ser presidente dos Estados Unidos. Ele tem o direito de governar os Estados Unidos, mas não tem o direito de governar outros países. Não tem o direito de impor a sua vontade. Precisa ter disposição para negociar”. O tema da soberania nas mais diferentes frentes —eleitoral, econômica e militar— deve permear o argumento de Lula na ONU.