ELEIÇÕES


Bruno diz que Rui Costa deveria cobrar de aliados explicações sobre escândalo no Master

Prefeito de Salvador saiu em defesa de ACM Neto, suspeito de envolvimento no caso

Foto: Lucas Franco/MundoBA

 

O prefeito de Salvador, Bruno Reis (União Brasil), afirmou nesta segunda-feira (21) que o ex-ministro Rui Costa deveria pedir explicações de aliados sobre possível envolvimento no escândalo do Banco Master, em vez de direcionar as cobranças apenas para ACM Neto (União Brasil), que recebeu R$ 3,6 milhões do Master e da Reag ao prestar serviços de consultoria — ele nega ter cometido irregularidades.

Bruno Reis falou sobre o tema ao ser questionado sobre a revelação do jornal O Globo de que o senador Otto Alencar (PSD) teria trocado mensagens com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, preso há mais de seis meses, na Papudinha, em Brasília. Ele também citou o fato de Jerônimo manter Eduardo Sodré no cargo de secretário de Meio Ambiente. Enteado de Jaques Wagner, ele é suspeito de receber vantagens indevidas no caso do Banco Master.

“Não quero entrar no mérito, mas só preciso que a oposição, que os aliados, também façam os mesmos comentários. Façam as mesmas colocações e as mesmas ponderações de todos. De todos. Não dá para Rui Costa chegar e cobrar de ACM Neto e não cobrar de Wagner, não cobrar de Jerônimo, que mantém o seu secretário, e não cobrar dos outros aliados dele e de si próprio”, disse o prefeito em conversa com jornalistas em um evento no Centro de Convenções, na Boca do Rio.

“Todos sabem que, se o Banco Master existe, foi porque Rui Costa entregou o Credcesta, a Cesta do Povo, patrimônio dos baianos, para permitir a criação do banco. Então que ele também cobre de si próprio. Se ele não tem condições de fazer isso, ele deveria, naturalmente, talvez, ficar calado”, acrescentou Bruno.

Mensagens analisadas pela Polícia Federal indicam que Vorcaro se referia ao senador Otto Alencar como “conselheiro” e “comandante”.

O senador afirmou inicialmente que não tinha relação com Vorcaro e disse que não participou de encontros. “Nunca o vi ou troquei mensagem. Não (fez ligações ou teve qualquer outro contato). Nunca fui em festa, Londres ou intermediei conversa com Vorcaro nem absolutamente ninguém. Nunca fui em rega-bofe desses caras”, disse o senador ao O Globo.

Após a publicação, Otto disse que falou com Vorcaro “duas ou três vezes” por telefone usando o aparelho do advogado. Segundo ele, o banqueiro pediu apoio a um texto apelidado de “emenda Master”, que ampliava de R$ 250 mil para R$ 1 milhão o limite coberto pelo FGC (Fundo Garantidor de Crédito).