ELEIÇÕES


‘O sistema está com medo de Flávio Bolsonaro’, declara o próprio

Candidato relata supostas ameaças ao Centrão, garante uso da imagem do pai dentro da lei e motiva debate sobre Inteligência Artificial no TSE

Foto: Beto Barata/PL

O candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL)afirmou, nesta terça-feira (18), que o Centrão não apoia a sua campanha por “ameaças de altas autoridades em Brasília”. Em entrevista à rádio Itatiaia, em Belo Horizonte, o presidenciável não citou nomes ou episódios, mas declarou que o sistema está com “medo” de sua candidatura.

“Apesar de esses partidos não terem vindo formalmente, seria importante ter o tempo de TV e rádio, seria uma campanha mais bem estruturada. Não vieram, todos estão vendo as razões”, declarou o candidato.

“Eles receberam ameaças de altas autoridades em Brasília para não se juntarem à minha candidatura. O sistema está com medo de Flávio Bolsonaro”, completou.

Flávio Bolsonaro fez críticas ao Judiciário e declarou que o Brasil não vive um “democracia plena”. “Esse é mais um sintoma de que não vivemos uma democracia plena a partir do momento que autoridades do Judiciário fazem algum tipo de constrangimento para líderes partidários tomarem suas decisões dentro da política”, afirmou.

O candidato do PL declarou que usará a imagem do pai, Jair Bolsonaro, a campanha, dentro dos limites impostos pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). “O jurídico ainda vai me dar o limite. Vou usar o limite do que a legislação permitir”, enfatizou.

Durante a convenção que oficializou a candatura de Flávio no início do mês, houve a exibição de um vídeo com Inteligência Artificial (IA) que emulou o discurso do ex-presidente. Na ocasião, o personagem criado por algoritmos declarou apoio ao filho presidenciável.

A discussão provocada pelo vídeo exibido na convenção forçará o TSE a adotar um novo entendimento sobre casos de “deepfake do bem”, quando não há ataques a adversários ou intenção de enganar a população. Resolução aprovada pelo tribunal proíbe o uso desse tipo de conteúdo com o objetivo de ludibriar eleitores ou fazer campanha negativa.

Há, contudo, diferentes interpretações sobre a legalidade da fabricação de voz ou imagem de pessoas apenas para auxiliar a comunicação dos candidatos. Ministros da Corte estão divididos sobre a peça que emulou o discurso de Jair Bolsonaro.