ELEIÇÕES


MPT soma 804 denúncias de assédio eleitoral no ambiente de trabalho

São Paulo e Minas Gerais concentram o maior número de ocorrências registradas antes do primeiro turno das eleições

Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil

O Ministério Público do Trabalho (MPT) registrou 804 denúncias de assédio eleitoral nas empresas até quinta-feira (1) de outubro de 2026. A contagem ocorre a três dias do primeiro turno do pleito no país.

O estado de São Paulo lidera o ranking com 109 ocorrências. Na sequência, aparecem Minas Gerais, com 89 casos, Rio de Janeiro, com 83, e Paraná, com 57 registros.

Tocantins e Roraima apresentam os menores índices do país. O órgão contabilizou 6 ocorrências no território tocantinense e 4 no roraimense.

O total atual fica abaixo do balanço de 2022, ano em que o MPT somou 3.373 denúncias. Nas eleições municipais de 2024, a instituição recebeu 903 notificações.

A subnotificação permanece como fator de preocupação para as autoridades. Parte dos trabalhadores não reconhece as situações de assédio pelas quais passa.

Segundo o Tribunal Superior do Trabalho (TST), a infração engloba qualquer conduta que constranja, induza, influencie, restrinja, discrimine ou meça retaliações em razão de direitos ou escolhas políticas. A prática ocorre de forma vertical (por superior hierárquico) ou horizontal (entre colegas do mesmo nível).

Um exemplo típico é a declaração de que a empresa poderá fechar caso determinado candidato não obtenha a vitória. O MPT identifica modalidades como o assédio documental, praticado por memorandos e circulares, e o econômico, relacionado a benefícios como bônus e promoções.

O trabalhador pode realizar denúncias de forma sigilosa ou anônima pelo site do MPT. As ouvidorias do Tribunal Regional do Trabalho também recebem as notificações.

A legislação reforça que o voto é secreto e livre. Nenhum empregador ou colega tem o direito de interferir na escolha política do trabalhador.