ELEIÇÕES


Kassio volta a derrubar ‘Exército do Lula’ e diz que presidente pode ser responsabilizado por uso

Presidente do TSE afirmou que o canal só poderá ser restabelecido sob determinadas condições, como a comunicação de endereço à Justiça Eleitoral

Foto: Luiz Roberto/Secom/TSE

 

O presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), Kassio Nunes Marques, voltou a censurar o canal de WhatsApp “Exército do Lula”, comandado pelo deputado federal André Janones (Rede-MG), e disse que o presidente petista poderá ser responsabilizado pelo uso irregular da ferramenta. A decisão é mais um capítulo da guerra de decisões em torno do tema.

Ao derrubar o canal pela segunda vez em um intervalo de 24 horas, o ministro argumentou que o perfil foi criado para promover a candidatura do presidente Lula (PT) só poderá voltar a funcionar sob determinadas condições, como a comunicação dos endereços eletrônicos à Justiça Eleitoral, segundo o jornal Folha de S. Paulo.

No domingo (12), Kassio já havia censurado o canal, a pedido da campanha de Flávio Bolsonaro (PL). Até a manhã desta terça (13), o “Exército do Lula” contabilizava mais de 4 milhões de seguidores.

A determinação do ministro após um relatório da área técnica do TSE afirmar que mensagens veiculadas no canal entre 25 e 29 de setembro foram apagadas ou editadas a partir do dia 7 de outubro, o que gerou uma lacuna para a análise de riscos.

Em um dossiê enviado à corte eleitoral, a campanha de Flávio contabilizou 499 mensagens apagadas, entre elas três que já haviam sido classificadas anteriormente pelo TSE como fake news, com ordem de remoção.

Kassio afirmou ver “traços incontroversos” de que Janones “atua em coordenação com a campanha presidencial”, em uma “indissociável conexão”, o que torna obrigatório o registro formal do canal junto ao TSE.

Para o presidente do TSE, embora ainda não seja possível afirmar que o canal seja de fato uma “tropa digital substancialmente dedicada à desinformação”, sua estrutura remete a isso, sendo necessária uma atuação preventiva.
Os comandos de Janones para que os seguidores “compartilhem antes de assistir”, segundo Kassio, favorecem a circulação de afirmações enganosas, falsas ou tiradas de contexto sobre a campanha de Flávio.
“O risco deve ser apreciado pela convergência dos elementos, os quais envolvem a direção centralizada, a redistribuição expressiva, missões sincronizadas, orientação explícita para compartilhar sem exame e a utilização anterior do canal para amplificar afirmações alcançadas por decisões desta corte.”