ELEIÇÕES


Em competição de audiência, Flávio Bolsonaro inclui nome de torturador da ditadura em live

Nome "Ustra" apareceu nos metadados do canal do senador do PL durante o horário que deveria ocorrer o debate da Globo

Foto: Saulo Cruz/Agência Senado

O senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) incluiu o nome do coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra entre as palavra-chave de sua transmissão ao vivo nessa quinta-feira (1). O evento digital ocorreu na internet no mesmo horário do debate da TV Globo, do qual o parlamentar desistiu.

A identificação do termo nos metadados públicos do Youtube ocorreu por meio de extensões acessadas pela jornalista Daniela Lima, do portal UOL. As tags continham também palavras como “Bolsonaro”, “Lula”, “comunismo”, “direita”, “esquerda”, “Dilma”, “Karl Marx”, “Rede Globo” e “Olavo de Carvalho”.

A plataforma YouTube define o recurso como palavras-chave para ajudar na identificação do conteúdo. Durante a transmissão com aliados, o candidato criticou decisões da Justiça Eleitoral e pediu votos na reta final da campanha.

O coronel Ustra comandou o DOI-Codi de São Paulo durante a ditadura militar. A Justiça paulista reconheceu o militar como responsável pela prática de tortura, em decisão mantida pelo Tribunal de Justiça de São Paulo.

Em biografia de Jair Bolsonaro publicada em 2017, o senador defendeu a homenagem do pai ao militar no impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT). Na obra, o parlamentar descreveu o coronel como “um homem correto, íntegro, que cumpriu seu papel de defender a pátria”.

O texto de Flávio Bolsonaro rejeita a caracterização da ação das Forças Armadas em 1964 como golpe. “Que golpe foi esse em que o Congresso, com respaldo constitucional, afasta um presidente? […] Ou seja, só houve golpe nos livros de ‘estória’ do MEC”, escreveu o senador.

O candidato afirmou no livro que os militares “deveriam ser tratados como heróis nacionais por terem evitado que o Brasil se tornasse uma ditadura socialista”. Ele também classificou a Comissão Nacional da Verdade como uma iniciativa revanchista.

A publicação questiona a versão oficial do Estado brasileiro sobre a morte e o desaparecimento do ex-deputado Rubens Paiva. O candidato declarou apoio à atuação policial no massacre do Carandiru.

Flávio Bolsonaro também registrou no livro questionamentos ao sistema eleitoral. “Se não há como provar que houve a fraude, como provar que ela não aconteceu?”, escreveu ao defender o voto impresso, enquanto a Justiça Eleitoral afirma que o sistema eletrônico é auditável e possui mecanismos de fiscalização.

No momento da transmissão, Flávio Bolsonaro disputava a audiência com o presidente e candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva (PT), seu principal adversário segundo pesquisa Datafolha do mesmo dia.

Com o cancelamento do debate da Globo por negativa de Lula e desistência de Flávio, o candidato do PT esteve no Flow Podcast, acumulando entre 1,64 milhão e 1,7 milhão de espectadores simultâneos no YouTube. Já a transmissão de Flávio Bolsonaro na mesma plataforma registrou entre 941 mil e 945 mil acessos simultâneos.