ELEIÇÕES


Deputado propõe CPMI para investigar ‘Exército do Lula’ e possível financiamento de influenciadores

Capitão Alden (PL-BA) que apurar tuação de André Janones à frente do canal criado no WahatsApp para impulsionar campanha petista

Foto: Assessoria/Capitão Alden

 

O deputado federal Capitão Alden (PL-BA) anunciou a elaboração de um requerimento para a criação de uma CPMI (Comissão Parlamentar Mista de Inquérito) destinada a investigar a atuação do deputado federal André Janones (Rede-MG) à frente do chamado “Exército do Lula”, canal no WhatsApp e principal flanco digital que ajudou o petista a conquistar seu quarto mandato no Palácio do Planalto.

Segundo Alden, o colegiado vai apurar possíveis irregularidades na utilização de recursos públicos federais para financiar influenciadores digitais, agências de publicidade e campanhas de comunicação com finalidade político-eleitoral durante as eleições presidenciais de 2026.

A iniciativa ocorre após questionamentos sobre a atuação de estruturas de mobilização nas redes sociais durante a disputa eleitoral, especialmente no segundo turno.

Nos dias que antecederam o segundo turno, Janones promoveu uma mobilização nas redes sociais em torno da meta de alcançar 10 milhões de seguidores, demonstrando confiança na capacidade dessa estratégia de contribuir para a vitória eleitoral.

Alden afirma que a referência ao número de seguidores também levantou questionamentos sobre uma possível relação com o crescimento da votação de Lula entre os dois turnos. A comparação, no entanto, exige a conferência dos números oficiais e não constitui, por si só, indício de irregularidade.

“O que chama atenção é a dimensão dessas operações digitais e a convicção com que seus organizadores anunciavam resultados. Não estamos afirmando que houve irregularidade, mas queremos saber se alguma dessas estruturas recebeu recursos públicos, direta ou indiretamente, para atuar na disputa eleitoral”, declarou Capitão Alden.

O parlamentar diz que a investigação não pretende criminalizar a manifestação política de influenciadores, mas esclarecer a origem dos recursos utilizados em eventuais campanhas de comunicação financiadas com dinheiro público.

“Uma coisa é um influenciador defender espontaneamente um candidato. Outra, completamente diferente, seria utilizar dinheiro do contribuinte para financiar propaganda eleitoral disfarçada de opinião independente. Se isso aconteceu, precisamos identificar quem pagou, quem recebeu, quanto foi gasto e quem autorizou”, afirmou Alden.

A CPMI proposta deverá investigar contratos de publicidade institucional, pagamentos a agências de comunicação, repasses indiretos, subcontratações e eventuais mecanismos de financiamento de conteúdos político-eleitorais. O colegiado também buscará verificar se estruturas administrativas federais foram utilizadas indevidamente para favorecer candidaturas ou prejudicar adversários políticos.

A proposta prevê uma comissão composta por 15 deputados federais e 15 senadores, com prazo de funcionamento de 180 dias. O requerimento está em fase de elaboração e deverá ser complementado com documentos e fatos determinados antes da coleta das assinaturas necessárias para seu protocolo no Congresso Nacional.

“Se não houve irregularidade, que os documentos esclareçam tudo. Mas, se houve utilização indevida de dinheiro público, os responsáveis precisam ser identificados e responder na forma da lei. O brasileiro tem o direito de saber como seu dinheiro foi utilizado, inclusive durante as eleições”, disse Alden.