ELEIÇÕES


De Dirceu a Delúbio, petistas condenados na Lava Jato não conseguem se eleger

Entre quatro petistas presos pela força-tarefa, apenas João Paulo Cunha saiu vitorioso ao conquistar uma cadeira na Câmara de Deputados por SP

Da esquerda à direita, André Vargas, José Dirceu, Delúbio Soares, André Vargas e João Paulo Cunha – Fotos: Reprodução/Divulgação; José Dirceu no Facebook; Delúbio Soares no Instagram; André Vargas no Instagram

 

Nomes históricos do PT que tentavam retornar à Câmara dos Deputados saíram derrotados da disputa eleitoral deste domingo (4). O grupo inclui José Dirceu, fundador do partido e ex-ministro da Casa Civil; Delúbio Soares, ex-tesoureiro da sigla; e André Vargas, ex-vice-presidente da Câmara.

Dirceu e Delúbio foram presos pelo Supremo Tribunal Federal no escândalo do mensalão e, com Vargas, condenados no âmbito da Operação Lava Jato. Ambos os processos, contudo, foram anulados pela corte.

Candidato a deputado federal por São Paulo, José Dirceu recebeu 78.449 votos e ficou na sexta suplência da Federação Brasil da Esperança, formada por PT, PV e PCdoB. Ele havia sido condenado a mais de sete anos de prisão no mensalão e a dez anos no âmbito da Lava Jato. A primeira sentença acabou extinta, enquanto a segunda foi anulada pelo STF.

Delúbio, por sua vez, obteve 14 mil votos e também alcançou a vaga de suplente como deputado federal por Goiás, com o slogan “O amigo do Lula”.

Candidato a deputado federal pelo Paraná, André Vargas contabilizou 34 mil votos e igualmente conquistou a suplência segundo os resultados divulgados pela Justiça Eleitoral. Ele ocupou a vice-presidência da Câmara entre 2013 e 2014 e renunciou ao mandato após ser pressionado pelo PT. Na época, seu nome apareceu na primeira fase da Lava Jato relacionado ao doleiro Alberto Youssef. Vargas teria viajado em um jatinho de Youssef e intermediado interesses do doleiro no Ministério da Saúde.

Entre os quatro petistas condenados pela força-tarefa, apenas João Paulo Cunha conseguiu se eleger. Presidente da Câmara no primeiro mandato de Lula, recebeu 109.548 votos e vai ocupar uma das cadeiras do PT por São Paulo a partir de 2027.

Veterano das greves históricas do ABC paulista e presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo nos anos 1980, Vicente Paulo da Silva, o Vicentinho, também ficou de fora. Ele somou 68.508 votos para deputado federal.

Exerceu seis legislaturas como deputado federal e foi eleito consecutivamente entre 2002 e 2018. Ele assumiu o atual mandato como suplente, em 2023.

Presidente nacional do PT entre 2011-2017, o deputado federal Rui Falcão também não conseguiu se reeleger. Ele recebeu 106.391 votos e ficou na primeira suplência do partido para a Câmara. O resultado representa uma redução de 87 mil votos, ou 45%, em relação à eleição de 2022.

A ex-ministra dos governos Lula e Dilma e ex-presidente do PT Gleisi Hoffmann saiu derrotada das urnas neste ano. Ela disputou uma vaga no Senado pelo Paraná e terminou a eleição na quarta colocação.