ELEIÇÕES


Candidata à Presidência defende ajuste fiscal e 50% de mulheres no governo

Em sabatina promovida pelo Correio Brazilense, candidata detalhou propostas para a economia, composição do Judiciário e criação de centros de apoio contra a violência doméstica

Foto: Instagram/ Democracia Cristã

A advogada Clariana Barão, candidata à Presidência da República pela Democracia Cristã, participou nesta terça-feira (25) da sabatina promovida pelo Correio Braziliense em parceria com Anfip, Fenat, Febrafite e Unafisco Nacional. Entrevistada pelas colunistas Denise Rothenburg e Ana Maria Campos, a postulante apresentou suas propostas econômicas e medidas sociais para o país.

Na área econômica, a candidata defendeu reformas estruturais, como a previdenciária e a administrativa, para conter o endividamento estatal, estimado por ela entre 81% e 82% do Produto Interno Bruto (PIB). Clariana pontuou a necessidade de equilíbrio entre arrecadação e despesas fiscais.

“Sem dúvida alguma, precisamos ajustar a economia. É uma conta muito básica: precisamos gastar menos do que arrecadamos, e não é o que acontece. O Brasil hoje vive um endividamento de trilhões de reais, o que representa quase 81% ou 82% do nosso PIB. Essa conta não fecha”, declarou.

Sobre a composição governamental, Barão propôs formar um ministério com 50% de participação feminina, com presença de mulheres inclusive na área econômica. A candidata também mencionou o cenário atual da disputa eleitoral, na qual poucas chapas possuem lideranças femininas.

“Quando lançamos a nossa candidatura, éramos a única opção feminina e, agora, temos também mais uma chapa feminina, o que eu acho muito plural e importante. Contudo, em um universo de 13 candidaturas, nós, com muita dificuldade, estamos conseguindo trabalhar a nossa chapa”, disse.

A postulante abordou a disparidade de gênero nos tribunais superiores do país, como STF, TSE e STJ. Diante desse cenário, defendeu que a próxima presidência do STF escolha quatro mulheres para o tribunal.

“Veja só: não apenas o STF, com 11 cadeiras, tem apenas a ministra Cármen Lúcia, mas também no TSE temos oito cadeiras e apenas uma ministra. No STJ, são 33 cadeiras e apenas cinco mulheres. Isso demonstra um total desequilíbrio em relação ao cenário atual do país”, registrou.

Ao tratar da violência contra a mulher, Barão classificou o feminicídio como uma epidemia no Brasil. A candidata argumentou que a solução exige ações na base do problema, e não apenas medidas legislativas ou reforço de segurança pública.

“O feminicídio não acontece na primeira agressão. A agressão começa verbal, passa a ser psicológica, depois física, até que essa mulher seja assassinada. Nós temos de criar um programa que incentive essa mulher a dar o primeiro passo, que é a denúncia”, pontuou.

Para facilitar o acesso à proteção, postulante propôs a criação de centros integrados de atendimento à violência doméstica. O projeto prevê reunir em um único espaço delegacia 24 horas, posto do IML, Defensoria Pública e acolhimento provisório.

“Dentro desse centro, teremos uma delegacia de atendimento à mulher 24 horas, um posto do IML para atendê-la no exame de corpo de delito imediatamente e a Defensoria Pública pronta para atendê-la, tanto na medida protetiva que ela precisará requerer quanto em questões de pensão, guarda e filhos. Teremos também ali o encaminhamento para uma casa de acolhimento que a receba, oferecendo um tratamento multidisciplinar e multiministerial”, explicou.