ELEIÇÕES


16 mentiras, 5 equívocos e 2 verdades de Flávio Bolsonaro no debate da Band

Análise de checagem do encontro na Band revela inconsistências do candidato em declarações sobre prisões, economia e segurança pública

Foto: Reprodução/YouTube

 

Os candidatos à Presidência da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), debateram propostas de governo nos estúdios da TV Band no último domingo (18). A agência Aos Fatos verificou as declarações dos políticos em tempo real e contabilizou 16 informações falsas, cinco imprecisas e duas verdadeiras nas falas do senador.

O MundoBA reforçou a análise dos discursos de ambos presidenciáveis e divulga para a conscientização dos eleitores.

As duas verdades

Entre as afirmações corretas proferidas pelo candidato do PL, consta a declaração de que “o atual governo está deixando de 11 trilhões de reais” em dívidas. O Banco Central confirmou o montante de R$ 11,1 trilhões em agosto de 2026, valor equivalente a 82,9% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional.

Em dezembro de 2022, último mês da gestão de Jair Bolsonaro (PL), a dívida governamental marcava R$ 7,2 trilhões. Esse número representava cerca de 73,5% do PIB na época.

A segunda fala verdadeira aponta um “recorde de mulher espancada” no atual mandato. Dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública confirmam o registro do maior número de lesões corporais dolosas contra mulheres da série histórica, com 286.270 casos no último ano.

As informações falsas

A checagem listou equívocos factuais reproduzidos durante o encontro, a exemplo do suposto “recorde de empresa fechada”. A estatística real aponta o maior número de falências no ano de 2015, com reduções consecutivas nos registros da Serasa Experian entre 2024 e maio de 2026.

Flávio negou dividir espaço de trabalho com Antonio Carlos Camilo Antunes, investigado por fraudes no INSS. Reportagens comprovaram, contudo, que a empresa Bravo Grafeno, de propriedade do senador, partilha o mesmo endereço em Águas Claras (DF) com 16 firmas do suspeito.

O escritório de advocacia do político também utilizou o mesmo contador do empresário investigado.

O presidenciável declarou ainda que o lobista integraria o atual governo federal. A afirmação não procede, uma vez que o investigado nunca ocupou cargos na gestão petista ou no instituto previdenciário.

As fraudes apuradas possuem registros de reclamações anteriores a 2023. Casos semelhantes ocorrem ao menos desde o governo de Michel Temer (MDB), com continuidade na gestão de Jair Bolsonaro.

A acusação de que a criminalidade “explodiu no Brasil” sob a Presidência de Lula contraria os dados oficiais. O índice de mortes violentas cai desde o ano de 2021 e atingiu a marca de 19,1 para cada 100 mil habitantes em 2025.

O único aumento recorde ocorreu nos feminicídios no país. Especialistas relacionam esse crescimento à melhora na notificação policial dos casos, prática inexistente nos mesmos moldes em anos anteriores.

Flávio afirmou na televisão que “nunca quis tirar” a exigência de marcação em balas e munições de forças de segurança. Os registros do Senado provam o apoio do parlamentar à retirada da numeração em votação no ano de 2022.

A alegação de que o governo emprega indivíduos condenados por corrupção no Mensalão é falsa. Nenhum dos quatro filiados ao PT sentenciados no julgamento de 2014 integra a equipe federal neste terceiro mandato.

O candidato acusou o presidente da República de gastar “7 bilhões de reais” em viagens com a primeira-dama. O Portal da Transparência atesta uma despesa de R$ 150,5 milhões com deslocamentos de todos os servidores federais entre 2023 e 2025, sem exclusividade para o casal.

O político questionou a redução nos roubos de celulares durante a atual administração. As estatísticas oficiais mostram 308,7 mil ocorrências em 2025, o menor patamar do mandato e inferior aos 492,9 mil roubos registrados em 2022.

A promessa de permitir o funcionamento de uma “lojinha virtual” dentro de casa omite regras já estabelecidas no país. A legislação brasileira autoriza o uso da própria residência por microempreendedores desde 2016.

Flávio declarou que o governo não enviou representantes aos Estados Unidos para defender produtos brasileiros contra tarifas alfandegárias. O Executivo realizou mais de 30 reuniões sobre o tema desde julho de 2025, com participações presenciais em território estadunidense.

A fala de que Lula viajou ao exterior “para defender CV e PCC” distorce a posição diplomática brasileira. O governo evitou classificar as facções como grupos terroristas para impedir brechas de intervenção internacional armada no Brasil.

A afirmação de que a atual gestão trata pedófilos como “pessoas doentes, não criminosos” contraria as sanções recentes. O presidente sancionou em agosto de 2026 o aumento das penas para crimes de exploração sexual e aliciamento de menores.

A alegação de que Lula “não poupou nem os aposentados” carece de evidências sobre o envolvimento do presidente no esquema de descontos indevidos do INSS.

Sobre a pandemia, o candidato declarou que Jair Bolsonaro comprou vacinas sem resistência no governo anterior. A informação desconsidera que o ex-presidente cancelou publicamente a compra da Coronavac e desautorizou o Ministério da Saúde em outubro de 2020.

Declarações imprecisas

Na categoria de falas sem contexto exato, Flávio acusou o governo de possuir “política de desencarceramento” de criminosos perigosos. O plano federal visa reduzir a superlotação, mas restringe as penas alternativas a infrações cometidas sem violência ou grave ameaça.

O senador declarou que a “taxa de juros futuros caiu 2%” com a sua passagem ao segundo turno. A fala embute uma meia-verdade, pois confunde pontos percentuais com percentual de queda e ignora os impactos do mercado externo na economia.

O parlamentar informou que “73% dos presidiários votaram” no adversário petista, número próximo aos 72,6% registrados nas urnas prisionais. A afirmação omite que apenas presos provisórios possuem direito a voto e que o próprio Flávio alcançou 23,3% da preferência nesses locais.

O candidato alegou que a prisão do doleiro Vorcaro ocorreu exclusivamente por ordem do ministro André Mendonça. O magistrado do Supremo Tribunal Federal (STF) determinou a segunda prisão, contudo a primeira detenção partiu de um juiz federal de primeira instância.

Ressalva de dados

A menção ao suposto “recorde de mulher assassinada” confunde os indicadores criminais do Anuário Brasileiro de Segurança Pública. O país atingiu um recorde de feminicídios, mas registra queda no volume total de homicídios gerais com vítimas mulheres desde 2022.