ECONOMIA


Renda baixa e reajuste de 383% disparam buscas por novos planos de saúde

Alto nível de endividamento e avanço de MEIs estão ligados à migração de contratos

Foto: Arquivo/Agência Brasil

 

O alto nível de endividamento e a pressão sobre o orçamento das famílias estão afetando o mercado de saúde suplementar brasileiro. Com 49,8% das famílias endividadas e uma inadimplência de 7,2% registrada em abril pelo Banco Central, a capacidade de absorver os aumentos das operadoras está limitada.

Em dez anos, entre 2015 e 2025, os planos de saúde coletivos acumularam um reajuste de 383,5%, um salto mais de quatro vezes superior à inflação de 84% do período. Esse descolamento entre custo e renda leva os brasileiros a reconsiderar os investimentos em planos de saúde.

De olho na redução da fatura, mas ainda mantendo o cuidado com a saúde, os brasileiros estão comparando mais os preços. No marketplace Click Planos, as simulações saltaram de 140, em dezembro de 2025, para 3.304 em janeiro de 2026, uma alta expressiva de 2.200%.

O movimento reflete a urgência por alívio financeiro, com trocas de operadoras e modalidades que prometem economia média de 28%, podendo ultrapassar os 50%. Em um dos cenários mapeados, uma mensalidade de R$631 caiu para R$256.

No entanto, em relação à saúde suplementar, a redução do preço pode vir atrelada a mudanças no serviço entregue. Adriana Mello, CEO da Click Planos, esclarece que a chamada “cobertura equivalente” diz respeito à segmentação regulada pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) e abrange o tipo de internação e a região, e não se refere a uma rede credenciada idêntica, como o consumidor pode associar. “Por isso, a comparação não deve ser feita apenas pelo preço”, alerta a executiva.

A plataforma afirma detalhar lado a lado hospitais, laboratórios e regras de coparticipação para dar transparência ao processo. Mello ressalta que a tecnologia não altera os preços, já que são estritamente tabelados, de modo que o sistema opera varrendo o mercado para cruzar dados e encontrar as melhores relações de custo-benefício.

Com o aumento do empreendedorismo no país, os planos de saúde para Microempreendedores Individuais podem ser uma saída para o consumidor ter acesso a um serviço mais acessível, se comparado ao plano individual.

Contudo, essa massa de novos clientes entra em um segmento volátil. Em 2025, os planos coletivos com até 30 vidas, exatamente o foco dos MEIs, sofreram um reajuste médio de 14,81%, mais que o dobro do teto de 6,06% aplicado aos contratos individuais. Neste caso, segundo Mello, a estratégia proposta é a reavaliação contínua.

“Quando chega o momento da renovação, o consumidor pode voltar à plataforma para reavaliar as opções disponíveis e verificar se o plano atual continua sendo a melhor alternativa”, diz.

As oscilações do cenário macroeconômico tendem a manter o mercado aquecido. Com a perspectiva de juros e inflação mais altos no final de 2026, o estrangulamento da renda força a manutenção das pesquisas por preço.

Embora as taxas de juros não afetem diretamente os reajustes da saúde, que são pautados pela inflação médica e pela sinistralidade, elas limitam a renda livre do consumidor. “A pressão sobre a renda das famílias tende a aumentar a busca por alternativas com melhor custo-benefício”, observa a CEO.