ECONOMIA


Petrobras descarta aporte isolado à Braskem

Estatal e gestora IG4 preparam contraproposta com foco em eficiência operacional e corte de custos para reestruturar dívida de R$ 55 bilhões

Foto: Petrobras/Assessoria

A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, afirmou nesta quarta-feira (24), no Rio de Janeiro, que a estatal não aplicará recursos sozinha na Braskem e descartou a reestatização da petroquímica. A declaração responde à exigência dos credores por um aporte de US$ 3 bilhões (R$ 15,5 bilhões) pelos atuais controladores.

“Ampliar nossa participação não está no nosso escopo e, portanto, não há o que falar em Petrobras aportar recursos sem falar em acionistas em geral aportando recursos”, disse a executiva.

Os acionistas da Braskem, Petrobras e a gestora IG4 votam pela rejeição formal da proposta nesta sexta-feira 925). A Petrobras detém 47% do capital votante, eenquanto a IG4 possui 50,1% das ações, adquiridas pela Novonor (ex-Odebrecht).

Os dois controladores preparam um novo plano para apresentar aos credores na próxima semana. A estratégia foca na rentabilidade de longo prazo por meio do fornecimento de gás natural e do uso da frota de transporte da Petrobras.

A proposta prevê a redução de custos operacionais e o aproveitamento das margens do mercado petroquímico global. O setor registra alta nas margens após a interrupção da produção no Oriente Médio provocada pela guerra no Irã.

O plano recusado pelos controladores estabelecia o prazo de cinco anos para a recuperação da companhia. Os credores buscam reaver parte das perdas em dois anos para amortizar a dívida total de US$ 11 bilhões (cerca de R$ 55 bilhões).

Detentores de títulos internacionais (bondholders) lideram as negociações do grupo de credores. Embora o prazo legal vá até o fim de novembro, os investidores pressionam por um acordo no início do mês.

No mesmo evento, o diretor de processos industriais da Petrobras, William França, manifestou expectativa de acordo dentro do prazo estipulado.