ECONOMIA


Ministério da Fazenda admite ausência de estudo técnico para fundamentar regras do Desenrola 2

Pasta informou que programa foi estruturado com base em avaliações do governo e discussões com o setor financeiro

Foto: Agência Brasil

 

O Ministério da Fazenda admitiu, em resposta a questionamentos da coluna da jornalista Andreza Matais, do Metrópoles, que não realizou estudo técnico para fundamentar a abrangência e as regras do programa Desenrola 2.

Segundo a pasta, o programa foi estruturado com base em “avaliações do governo e discussão com o setor, que consideraram os dados públicos de endividamento e os recursos disponíveis para a política”.

Dados mais recentes da Serasa apontam que cerca de 82 milhões de brasileiros estão endividados. De acordo com o Ministério da Fazenda, o Desenrola 2 tem potencial para alcançar aproximadamente 20 milhões de pessoas, considerando todas as modalidades previstas no programa. O número representa cerca de 24% do total de inadimplentes no país.

O cientista político Sérgio Praça criticou a condução da iniciativa e afirmou que faltou planejamento técnico na formulação da política pública.

“É chocante, mas não surpreendente, que uma política pública tão importante tenha sido algo improvisado. O atual Ministro da Fazenda age mais como cabo eleitoral, sem preocupação alguma com as consequências das medidas que toma, do que como uma voz técnica”, declarou.

O Desenrola 2 é voltado para renegociação de dívidas financeiras e bancárias. As regras contemplam débitos contratados até 31 de janeiro de 2026, com atraso entre 90 dias e dois anos, incluindo cartão de crédito, cheque especial e crédito pessoal.

A reportagem também cita questionamentos relacionados ao programa Pé-de-Meia. Segundo o texto, a iniciativa, estimada em R$ 12,5 bilhões, teria sido lançada com base em dados de 2022 e sem estudos específicos do Ministério da Educação sobre evasão escolar ou justificativas detalhadas para os critérios adotados.

Ainda conforme a publicação, o Ministério da Fazenda afirmou, na época, que um estudo indicava retorno futuro de R$ 7 para cada R$ 1 investido no programa. O levantamento, porém, não teria sido divulgado publicamente.