ECONOMIA


Mercados argentinos despencam após reeleição de Lula no Brasil

Índice de ações argentinoregistrava forte queda de 6,24% às 11h10, enquanto negociações de ações no Ibovespa despencavam mais de 17%

Fotos: Ricardo Stuckert/PR; Tânia Rêgo/Agência Brasil

 

O mercado financeiro argentino registrava queda nesta segunda-feira (26), acompanhando o recuo nos mercados de seu principal parceiro econômico, o Brasil, após a confirmação da vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT)  no segundo turno da eleição presidencial no domingo.

O índice de ações argentino, o MSCI Merval, registrava uma forte queda de 6,24% às 11h10 (horário de Brasília), enquanto as negociações de ações em seu equivalente brasileiro, o Ibovespa, despencavam mais de 17%.

“O resultado eleitoral surpreendente não é apenas uma má notícia para o mercado brasileiro. O efeito de contágio também afeta o Merval e os títulos soberanos argentinos”, afirmou Roberto Geretto, analista do Adcap Grupo Financiero.

“Do ponto de vista macroeconômico, um real mais fraco exerce pressão sobre o dólar ao valorizar a taxa de câmbio real multilateral”, acrescentou.

Por sua vez, o mercado cambial desvalorizava-se em 0,71%, para 1.540,50 pesos por dólar, após atingir uma mínima histórica intradia de 1.542 na venda, e os títulos no mercado de balcão recuavam, em média, 0,7%.

“O Brasil caminha para um dia difícil no mercado financeiro com fraqueza acentuada no mercado de renda fixa e uma forte desvalorização do real. Os mercados terão que desfazer as expectativas geradas por uma possível vitória de Bolsonaro e absorver um novo ‘cisne negro’: um evento improvável, mas de grande impacto”, disse o economista Gustavo Ber.

“O contágio desse clima de pessimismo aos ativos argentinos parece irreversível e pode ser igualmente significativo… em um mundo que enfrentará sucessivas eleições importantes nos próximos meses — entre elas, em Israel, nos Estados Unidos e na França —, a lição para os investidores volta a ser que toda previsão pode falhar”, acrescentou.

A Argentina realizará eleições presidenciais em 2027, nas quais o presidente Javier Milei buscará a reeleição.