ECONOMIA


Exportações de café recuam 16% com EUA fora da liderança pós-tarifaço

Queda refletiu menor disponibilidade do produto, problemas logísticos nos portos brasileiros e impactos das tarifas norte-americanas

Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

 

As exportações brasileiras de café encerraram a safra 2025/26 com queda de 15,7% em volume na comparação com o ciclo anterior, com embarque de 38,5 milhões de sacas de 60 kg do grão para 125 países. A queda refletiu menor disponibilidade do produto, problemas logísticos nos portos brasileiros e os efeitos do tarifaço imposto pelos Estados Unidos sobre o café brasileiro.

O recuo foi mais brando para a receita, de 1%, para US$14,6 bilhões, mas alcançou o segundo melhor desempenho na série histórica, atrás somente da temporada 2024/25. Os preços elevados registrados ao longo da temporada ajudaram a evitar perda de lucro.

O preço médio de exportação alcançou US$379,48 por saca, alta de 17,4% e recorde histórico. Os dados foram divulgados nesta quarta-feira (15) pelo Cecafé (Conselho dos Exportadores de Café do Brasil).

O Cecafé atribui parte importante da retração ao tarifaço imposto pelos Estados Unidos sobre o café brasileiro, que vigorou entre agosto e novembro de 2025.

Nesse intervalo, os embarques brasileiros ao mercado americano despencaram 54,9%, passando de 2,917 milhões para 1,315 milhão de sacas na comparação com igual período do ano anterior.

Mesmo após a retirada da sobretaxa para a maior parte dos cafés brasileiros, o Cecafé avalia que as exportações ainda não retornaram ao ritmo normal.

O impacto aparece também no ranking dos principais compradores do café brasileiro. Pela primeira vez desde a safra 2009/10, os Estados Unidos perderam a liderança entre os destinos das exportações.

A Alemanha assumiu o primeiro lugar, com a compra de 5,19 milhões de sacas (13,5% do total), enquanto os EUA ficaram na segunda posição, com 4,24 milhões de sacas, volume 43,2% inferior ao registrado na temporada anterior.