ECONOMIA


“Deve ser aproveitado para encontrar novos mercados externos”, diz economista sobre tarifaço dos EUA

Nuno Teles afirma que medida pode gerar alívio inicial no bolso do consumidor, mas alerta para possíveis efeitos negativos no médio prazo

Foto: Reprodução/Freepik

 

Professor da Faculdade de Economia da Universidade Federal da Bahia (UFBA), o pesquisador Nuno Jorge Rodrigues Teles Sampaio afirmou, em entrevista ao MundoBA, que a nova tarifa de 25% aplicada pelo presidente Donald Trump sobre produtos brasileiros não se limita a uma medida protetiva decorrente das investigações comerciais dos EUA. Segundo o docente, a medida reflete motivações políticas e atua como uma estratégia de afirmação de influência no cenário internacional.

“A aplicação de novas tarifas às exportações brasileiras parece politicamente orientada, em um contexto em que as tarifas não são apenas instrumentos de política econômica, mas também armas de arremesso político contra outros Estados por parte dos EUA, o que é particularmente relevante em um momento de poder imperial dos EUA na América Latina”, afirmou.

Questionado sobre os impactos para a população brasileira, Teles avaliou que a medida pode gerar um alívio inicial no bolso do consumidor, mas alertou para possíveis efeitos negativos no médio prazo. “No curto prazo, as tarifas até poderão resultar em uma baixa nos preços de alguns produtos, já que os produtores terão que escoar a sua produção no mercado nacional. No entanto, a médio prazo, sem uma política de compensação, a perda de mercados externos deverá refletir-se na atividade econômica dos setores mais afetados, com consequências para o emprego e a renda”, projetou.

Apesar do cenário de desvantagem, o docente enxerga no momento atual uma oportunidade para o país e seus empresários buscarem novas estratégias de crescimento, destacando o papel do governo e a busca por novos parceiros comerciais. “A economia brasileira dependerá das ações do Estado brasileiro, nomeadamente na construção do mercado nacional como alternativa à indústria e agricultura. Por outro lado, este momento de guerra comercial deve ser aproveitado por empresários para encontrar novos mercados externos em rivalidade com os EUA, nomeadamente o chinês, já maior importador do Brasil”, afirmou.

O Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) recomendou a aplicação de uma tarifa adicional de 25% sobre as importações brasileiras após concluir uma investigação sobre práticas comerciais do Brasil. A proposta foi divulgada nesta segunda-feira (1º) e ainda será submetida a audiências públicas antes de uma decisão final do presidente Donald Trump.

Na terça-feira (2), o USTR concluiu mais uma investigação envolvendo o Brasil e propôs a aplicação de uma tarifa adicional de 12,5% sobre produtos brasileiros. Segundo o órgão, a medida se deve à uma suposta falha do país em impedir a entrada de produtos fabricados com mão de obra forçada em seus mercados internos. Além do Brasil, outros 60 países foram investigados.